Cientistas identificaram uma transição chave nas células imunes do cérebro que pode determinar se a patologia do Alzheimer leva à demência. A pesquisa, baseada em tecido cerebral humano, destaca respostas microgliais distintas associadas à resiliência ou ao declínio.
Pesquisadores do VIB e da KU Leuven, juntamente com colaboradores do UK-DRI e da Muna Therapeutics, examinaram amostras de cérebro doadas por adultos mais velhos e centenários cognitivamente saudáveis. Eles utilizaram transcriptômica espacial e sequenciamento de célula única para mapear seis domínios teciduais que representam diferentes estágios da doença.
A equipe descobriu que a microglia muda de um estado inflamatório ligado a placas amiloides para um estado de apresentação de antígenos que coincide com a patologia tau. Essa mudança parece marcar um ponto crítico onde o Alzheimer pode avançar em direção à neurodegeneração.
As vias de resiliência diferiram por faixa etária. Octogenários sem demência mantiveram a resposta microglial inicial sem progredir, enquanto os centenários ativaram o programa posterior em grande parte sem o acúmulo de tau.
"Essas descobertas abrem novas oportunidades para atingir estados microgliais — especialmente vias como a TREM2 — e estender a resiliência", afirmou Niels Plath, da Muna Therapeutics. O trabalho foi publicado na Nature Medicine.