Pesquisadores da Universidade de Genebra desenvolveram o MangroveGS, um modelo de IA que prevê o risco de metástase do câncer com quase 80% de precisão. A ferramenta analisa padrões de expressão gênica em células tumorais, inicialmente de câncer de cólon, e se aplica a outros tipos, como de mama e pulmão. Publicado na Cell Reports, o estudo visa permitir tratamentos mais personalizados.
Pesquisadores liderados por Ariel Ruiz i Altaba, professor do Departamento de Medicina Genética e Desenvolvimento da Faculdade de Medicina da Universidade de Genebra (UNIGE), estudaram células tumorais de cólon para entender a metástase. Eles descobriram que a disseminação do câncer segue programas biológicos estruturados, em vez de processos aleatórios, reativando vias de desenvolvimento iniciais por meio de alterações genéticas e epigenéticas. A metástase é responsável pela maioria das mortes nos cânceres de cólon, mama e pulmão, mas detectá-la precocemente continua sendo um desafio, já que muitas vezes começa antes que as células sejam encontradas no sangue ou no sistema linfático. Nenhuma mutação isolada explica totalmente por que algumas células migram enquanto outras não. Para abordar isso, a equipe isolou, clonou e cultivou cerca de trinta clones celulares de dois tumores de cólon primários. Eles foram testados in vitro e em modelos de camundongos quanto à migração e formação de metástases. A análise de centenas de genes revelou padrões de expressão que ligam grupos de células cancerígenas ao potencial metastático, em vez de células individuais. Esses padrões foram integrados ao MangroveGS, uma ferramenta de IA que utiliza dezenas ou centenas de assinaturas gênicas para previsões robustas. Aravind Srinivasan observou: 'A grande novidade da nossa ferramenta, chamada Mangrove Gene Signatures (MangroveGS), é que ela explora dezenas, até mesmo centenas, de assinaturas gênicas. Isso a torna particularmente resistente a variações individuais.' O modelo prevê a metástase e a recorrência do câncer de cólon com quase 80% de precisão, superando métodos anteriores, e se aplica aos cânceres de estômago, pulmão e mama. Ele processa amostras de tumores hospitalares via sequenciamento de RNA, gerando pontuações de risco compartilhadas de forma segura com médicos e pacientes. Ruiz i Altaba afirmou: 'Essa informação evitará o sobretratamento de pacientes de baixo risco, limitando assim os efeitos colaterais e custos desnecessários, enquanto intensifica o monitoramento e o tratamento daqueles de alto risco.' O estudo aparece na Cell Reports (2026; 45(1):116834).