Os Estados Unidos assinaram como lei um pacote de gastos de US$ 5,88 bilhões para apoiar a resposta global ao HIV, um ano após cortes no financiamento do Pepfar terem interrompido programas na África do Sul e em outros lugares. Especialistas na África do Sul veem benefícios indiretos por meio de agências internacionais, mas expressam preocupações com lacunas contínuas nos serviços locais. O financiamento visa reforçar a liderança dos EUA nos esforços contra o HIV em meio a compromissos de ajuda voláteis.
Exatamente há um ano, a United States Agency for International Development (USAID) encerrou o financiamento Pepfar para organizações de HIV na África do Sul, após a ordem executiva do presidente Donald Trump para um congelamento de 90 dias na assistência ao desenvolvimento estrangeiro. Isso levou ao colapso de serviços essenciais em todo o mundo, incluindo na África do Sul. Em 3 de fevereiro de 2026, Trump assinou como lei um pacote bipartidário de US$ 5,88 bilhões. Ele aloca US$ 4,6 bilhões para apoio bilateral ao HIV sob a America First Global Health Strategy, US$ 1,25 bilhão para o Global Fund to Fight Aids, Tuberculosis and Malaria e US$ 45 milhões para a UNAIDS. A UNAIDS descreveu isso como reforçando o compromisso dos EUA com a resposta global ao HIV. Dra. Kate Rees do Anova Health Institute observou que o financiamento ao Global Fund beneficia a África do Sul indiretamente, pois o país participa desse ecossistema global. O Anova, que perdeu seu financiamento Pepfar, continua programas de HIV para populações-chave com apoio do Global Fund. No entanto, Rees disse que financiamento direto dos EUA para programas sul-africanos é improvável. Professor Francois Venter da Universidade Wits concordou que haveria algum benefício por meio de apoio técnico, mas enfatizou a necessidade de uma resposta mais ágil do governo sul-africano. Ele descreveu o setor de HIV um ano após os cortes como «tão sombrio quanto previmos», com programas para populações-chave quase destruídos e sem evidências de realocação de serviços. Professora Linda-Gail Bekker, CEO da Desmond Tutu Health Foundation, expressou preocupações com testes reduzidos, acesso a antirretrovirais e monitoramento de carga viral devido à perda de mecanismos de coleta de dados da ajuda estrangeira. Em outubro de 2025, a África do Sul recebeu um Plano Pepfar Bridge de US$ 115 milhões via Centres for Disease Control and Prevention, previsto para terminar em 31 de março de 2026, sem prorrogação confirmada. Bekker observou que o setor aceitou fazer mais com menos, enquanto Rees destacou que a prevenção do HIV ficou em segundo plano e pediu priorização do rollout de Lenacapavir, um novo antirretroviral de ação prolongada, junto com orçamento robusto. Venter instou a redesenhar o programa sem depender de modelos antigos dos EUA para proteger os ganhos em meio a recursos reduzidos.