Quase uma em cada 10 residências testadas no Reino Unido, na Itália e na Holanda apresentou níveis de benzeno provenientes de vazamentos em fogões a gás que superam os limites de segurança, segundo pesquisadores. O produto químico causador de câncer presente no gás natural apresenta riscos semelhantes aos do fumo passivo em ambientes fechados. As descobertas destacam a possível poluição do ar interno causada por vazamentos lentos.
Pesquisadores liderados por Drew Michanowicz, da PSE Healthy Energy em Oakland, Califórnia, analisaram amostras de gás de fogões em 72 residências no Reino Unido, na Holanda e na Itália. Eles constataram que as concentrações de benzeno no gás eram significativamente maiores do que nos EUA: nove vezes maiores na Itália, 37 vezes no Reino Unido e 66 vezes na Holanda. O benzeno, um conhecido carcinógeno ligado à leucemia, supressão imunológica, anemia e sangramento excessivo, foi a principal preocupação entre os compostos orgânicos voláteis, como tolueno, etilbenzeno, xileno e hexano, detectados no fornecimento de gás natural, inclusive de fontes do Mar do Norte e da Holanda. Em 35 residências, a equipe vedou as cozinhas para medir as taxas de vazamento e estimar a exposição ao benzeno. Nove por cento dessas residências excederam os limites de segurança do Reino Unido e da União Europeia para a substância química, embora os pesquisadores tenham observado que pode não haver um nível seguro e que outras fontes poderiam elevar ainda mais os totais. “É semelhante a viver com um fumante”, disse Michanowicz. “O fumo passivo cria um nível semelhante de benzeno em ambientes fechados.” “Este é apenas o benzeno proveniente dos vazamentos”, acrescentou. “Sabemos que existem outras fontes de benzeno, portanto, os níveis reais de benzeno podem ser ainda mais altos.” Nicola Carslaw, da Universidade de York, que não participou do estudo, afirmou que os vazamentos de gás natural de fogões podem ser uma fonte significativa de benzeno, dependendo dos hábitos domésticos e da ventilação. Paul Monks, da Universidade de Leicester, defendeu a substituição dos fogões a gás, citando evidências de riscos de poluição interna e benefícios da descarbonização. As residências europeias apresentaram taxas médias de vazamento mais baixas do que as medições anteriores nos EUA, mas Michanowicz sugeriu que testes mais amplos poderiam revelar médias mais altas. A maioria dos vazamentos era indetectável pelo olfato, já que o olfato humano varia muito. Os pesquisadores recomendaram uma ventilação melhor, como sistemas de recuperação de calor, juntamente com cooktops de indução para maior segurança e eficiência. O estudo foi publicado na Environmental Research Letters (DOI: 10.1088/1748-9326/ae499f).