Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, a Colômbia destaca avanços na liderança feminina e na economia do cuidado, que representa quase 20% do PIB e é majoritariamente arcada pelas mulheres. Embora leis como a 1413 de 2010 tenham tornado o trabalho não remunerado visível, desafios persistem, como a diferença salarial e o fardo doméstico desigual. O país ocupa o quarto lugar globalmente em mulheres em posições de alto nível, com 43,4%.
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, destaca as contribuições econômicas das mulheres na Colômbia. Segundo dados do DANE, o país tem 27,2 milhões de mulheres, metade de sua população de 53 milhões. A economia do cuidado, que abrange o trabalho doméstico não remunerado como cozinhar, limpar e cuidar de crianças ou idosos, equivale a quase 20% do PIB e é predominantemente realizado por mulheres, que dedicam o dobro do tempo dos homens a essas tarefas e até 10 vezes mais ao cuidado pessoal direto, segundo o Departamento Nacional de Planejamento. A Lei 1413 de 2010 incorporou essa economia ao Sistema de Contas Nacionais para destacar sua importância, mas a regulamentação tem sido limitada, faltando medidas como a redução das semanas de aposentadoria para mulheres ou subsídios específicos. Mais de 3 milhões de mulheres são cuidadoras não remuneradas, número que dobra fora das capitais, restringindo seu acesso a emprego remunerado, educação e autonomia econômica. 35% das mulheres desocupadas não buscam trabalho devido a responsabilidades familiares. Na liderança, um estudo da Grant Thornton de 2026 classifica a Colômbia em quarto lugar no mundo com 43,4% de mulheres em posições de alto nível, superando a média global de 32,9% e sem empresas amostradas com equipes executivas exclusivamente masculinas. Fatores chave incluem o crescente acesso ao ensino superior, onde as mulheres superam os homens em matrículas e formaturas, e políticas de diversidade nas empresas. A participação feminina nos conselhos chegou a 25,6% em 2025. «A Lei 1413 de 2010 foi um avanço no reconhecimento da contribuição da economia do cuidado», disse Laura Moisá, co-diretora do Banco Central. Marcela Meléndez, diretora da Fedesarrollo, enfatizou: «Somos metade da população. Quando não participamos do mercado de trabalho, o país perde capacidade e talento.» Em 2025, 7,8 milhões de mulheres estavam empregadas, um aumento de 33% em cinco anos, embora muitas como autônomas (3,7 milhões) ou em trabalho doméstico remunerado (651 mil). Apesar do progresso normativo como a Lei 1496 de 2011 pela igualdade salarial, persiste uma diferença em que mulheres com diplomas universitários ganham US$ 0,82 para cada US$ 1 que os homens ganham. Especialistas pedem mudanças culturais para equilibrar os papéis e fortalecer um Sistema Nacional de Cuidados.