A estatal colombiana Ecopetrol explora retomar importações de gás natural da Venezuela, prevendo possível alívio das sanções dos EUA. Isso ocorre em meio a um déficit de gás crescente que força dependência de importações caras de GNL. A iniciativa depende da reunião do próximo mês entre os presidentes Donald Trump e Gustavo Petro.
A Colômbia enfrenta um déficit de gás natural projetado em 20 % da demanda total este ano, ante 4 % no final de 2024. Para lidar com isso, a Ecopetrol iniciou conversas preliminares sobre a viabilidade de importar gás da Venezuela, segundo fontes familiarizadas com o assunto que pediram anonimato devido à natureza privada das discussões. As sanções dos EUA bloquearam anteriormente tais importações, mas após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, o ministro de Energia colombiano Edwin Palma postou no X que novas conversas entre EUA e Caracas poderiam permitir gás mais barato. Antes de sua prisão, Maduro declarou no mês passado que a Venezuela forneceria inicialmente gás à Colômbia sem custo. Palma se reuniu no ano passado com a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez em Caracas para promover o comércio de energia. Um acordo anterior para iniciar os fluxos no final de 2024 parou devido às sanções, mas a Ecopetrol aguarda o resultado da cúpula Trump-Petro antes de negociações diretas. A assessoria de imprensa da Ecopetrol, da Petróleos de Venezuela e do Departamento do Tesouro dos EUA recusaram-se a comentar. A reativação envolveria reabrir o gasoduto Antonio Ricaurte de 224 quilômetros, inativo há mais de uma década em meio à crise venezuelana e sanções. Propriedade da estatal Pdvsa, exige manutenção extensa, incluindo reconstrução de trechos na Colômbia, levando de 18 a 24 meses com custos semelhantes a um novo projeto, segundo a Wood Mackenzie. Inicialmente, a Venezuela poderia exportar 50 milhões de pés cúbicos diários. «Restaurar o gasoduto exigiria investimento substancial», observou a equipe de Gás e GNL da Wood Mackenzie. Marcela Rosas da S&P Global Energy acrescentou: «Se infraestrutura, investimentos e alívio de sanções se alinharem, poderia reduzir importações de GNL e diversificar o suprimento». Enquanto isso, a Ecopetrol constrói três terminais de GNL para este ano, elevando a capacidade de 450 para 1300 milhões de pés cúbicos diários até 2028. Analistas alertam que a Venezuela corre contra o tempo, pois a Colômbia se prepara para produção offshore como o campo Sirius em 2029.