Os Estados Unidos interceptaram e apreenderam um segundo navio petroleiro na costa da Venezuela neste sábado (20), dias após o anúncio de bloqueio total pelo presidente Donald Trump. A ação, confirmada por autoridades americanas, ocorre em meio a tensões crescentes e é a segunda em poucas semanas. O regime de Nicolás Maduro denunciou o ato como roubo e prometeu medidas internacionais.
Os Estados Unidos realizaram uma operação para apreender um segundo petroleiro na costa da Venezuela em 20 de dezembro de 2025, conforme relatado por autoridades americanas à Reuters e ao The Washington Post. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, confirmou a ação em redes sociais, afirmando que "os Estados Unidos continuarão a perseguir o movimento ilícito de petróleo sancionado que financia o narcoterrorismo na região". A Guarda Costeira, com apoio do Pentágono, capturou o navio antes do amanhecer em águas internacionais do Caribe.
O navio, de bandeira panamenha e operado por uma companhia panamenha, transportava petróleo venezuelano destinado a uma empresa chinesa, segundo o The New York Times. Embora não esteja na lista pública de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA, a carga faz parte das exportações que Washington visa bloquear. Esta é a segunda apreensão em poucas semanas; a primeira ocorreu em 10 de dezembro, quando Trump comentou que os EUA tomaram "um navio muito grande por uma ótima razão" e que ele "ficará conosco".
Trump anunciou na terça-feira anterior um "bloqueio total e completo de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela", intensificando a pressão sobre o regime de Maduro, considerado ilegítimo pelos EUA. A Venezuela, com as maiores reservas de petróleo do mundo e economia dependente das exportações, viu suas remessas caírem após a primeira interceptação. Navios com milhões de barris permanecem ancorados em águas venezuelanas para evitar riscos.
Em resposta, o governo venezuelano emitiu uma nota rejeitando "categoricamente o roubo e o sequestro de uma nova embarcação privada que transportava petróleo venezuelano, bem como o desaparecimento forçado de sua tripulação". Afirmou que "esses atos não ficarão impunes" e planeja denunciar ao Conselho de Segurança da ONU e outras instâncias. Maduro exigiu o fim da "intervenção brutal e ilegal" dos EUA.
Na cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, o presidente Lula alertou que uma intervenção armada na Venezuela seria uma "catástrofe humanitária" e precedente perigoso, citando a Guerra das Malvinas. Já Javier Milei, da Argentina, elogiou a pressão de Trump, chamando o regime de Maduro de "ditadura atroz e desumana" e afirmando que "o tempo de abordagem tímida se esgotou".
Especialistas indicam que um bloqueio prolongado poderia asfixiar a economia venezuelana, removendo até um milhão de barris por dia do mercado global e pressionando preços internacionais, embora o suprimento atual seja estável.