Após a apreensão pelos EUA do petroleiro Skipper ligado à Venezuela no início deste mês, novos desenvolvimentos estão agravando os problemas energéticos de Cuba. O incidente destacou os esquemas de revenda de combustível de Havana e desencorajou outras remessas, aumentando os temores de blecautes prolongados e escassez na ilha.
A apreensão do petroleiro Skipper pela Guarda Costeira dos EUA nos dias 10-11 de dezembro de 2025 no Mar do Caribe ao largo da Venezuela — carregando até 2 milhões de barris de petróleo bruto sancionado, com uma porção destinada a Cuba — reverberou pela região. Como detalhado em cobertura anterior, o navio fazia parte de uma «frota sombria» que evade sanções, provocando condenação do presidente venezuelano Nicolás Maduro como «pirataria» e aplausos de autoridades americanas que visam redes de petróleo ilícitas.
Para Cuba, altamente dependente do petróleo venezuelano sob acordos opacos, o incidente do Skipper expôs uma rede de revenda de combustível de longa data. Embora parte do petróleo alimente a energia e o transporte da ilha, grande parte é revendida no exterior por moeda forte, sem melhorar a infraestrutura como usinas termoelétricas ou transporte público.
Complicações se acumularam na PDVSA da Venezuela. Após a apreensão, compradores exigem descontos maiores por medo de confisco. A Reuters relata que o Boltaris com bandeira do Benin, carregando 300.000 barris de nafta russa para a Venezuela, retornou à Europa sem descarregar. Quatro outros navios pausaram planos de carregamento em portos venezuelanos, embora as exportações da Chevron continuem sob licenças americanas.
As vulnerabilidades estruturais de Cuba estão expostas: a dependência de rotas sombrias e navios sob a sombra de sanções se traduz em faltas de eletricidade, paralisações industriais e descontentamento crescente. Com a população se preparando para o pior, a saga do Skipper sublinha a fragilidade da linha vital energética de Havana.