O Grupo de Ação Financeira emitiu um relatório destacando as stablecoins como o principal veículo para transações ilícitas de criptomoedas, representando a maioria dos volumes suspeitos nos últimos anos. O órgão aponta o seu uso por agentes em países sancionados como Irã e Coreia do Norte para evasão de sanções e lavagem de dinheiro. Apela a medidas regulatórias reforçadas para enfrentar esses riscos.
O Grupo de Ação Financeira (FATF), o definidor global de padrões para esforços de combate à lavagem de dinheiro, divulgou um relatório de 42 páginas em 3 de março de 2026, alertando que as stablecoins se tornaram o ativo virtual mais amplamente usado em transações ilícitas. De acordo com o relatório, as stablecoins representaram 84% dos US$ 154 bilhões em volume de transações ilícitas de ativos virtuais em 2025, conforme citado de uma análise da Chainalysis. Isso marca um aumento significativo, com a TRM Labs relatando que entidades ilícitas receberam US$ 141 bilhões em stablecoins naquele ano, o maior em cinco anos em registros disponíveis para stablecoins usadas de forma ilícita (com dados históricos limitados para comparação entre stablecoins específicas, conforme o relatório do FATF, que cita dados da TRM Labs para stablecoins usadas de forma ilícita, mas observa limitações em dados históricos para comparação específica de stablecoins; não obstante, representando o maior valor em cinco anos para entidades ilícitas recebendo stablecoins conforme TRM Labs, com crescimento geral significativo citado da Chainalysis para participação geral em atividade ilícita de VA). O FATF enfatizou o papel das stablecoins em atividades ligadas a fraudes, golpes e evasão de sanções, particularmente por agentes no Irã e na Coreia do Norte. Por exemplo, observou casos envolvendo entidades norte-coreanas e iranianas usando stablecoins como USDT para financiamento de proliferação e pagamentos transfronteiriços ligados a operações sancionadas. Em 2024, a atividade ilícita relacionada a fraudes e golpes com stablecoins atingiu aproximadamente US$ 51 bilhões. Os fluxos relacionados a sanções representaram 86% das transações cripto ilícitas em 2025, com maus agentes dependendo fortemente de plataformas de stablecoin. Uma vulnerabilidade chave identificada são as transferências peer-to-peer via carteiras não hospedadas, que contornam os controlos tradicionais de combate à lavagem de dinheiro. O relatório insta os países a impor obrigações de AML aos emissores de stablecoins e explorar ferramentas como congelamento de carteiras e restrições em funções de contratos inteligentes. Com o mercado de stablecoins excedendo US$ 300 bilhões em valor e atividade mensal superando US$ 1 trilhão em várias ocasiões no ano passado, o FATF enfatizou a necessidade de ação regulatória rápida para fechar lacunas de conformidade à medida que a adoção cresce. O órgão parou antes de recomendar uma lista negra generalizada, mas destacou os riscos acelerados desses tokens atrelados ao dólar na finança ilícita global.