A Folha de S.Paulo realizou uma visita de duas horas ao Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em El Salvador, em dezembro de 2025, após solicitação feita em novembro de 2024. A repórter Daniela Arcanjo acompanhou jornalistas e influenciadores em um tour guiado pelo governo de Nayib Bukele. Essa experiência marca o início de uma série de reportagens sobre o presídio, que se tornou símbolo da luta contra gangues e alvo de críticas por violações de direitos humanos.
A série 'Cecot - Por dentro da prisão de Bukele' estreia no site da Folha na noite de 11 de janeiro de 2026 e na edição impressa de 12 de janeiro. O pedido de acesso ao presídio foi aprovado mais de um ano após a solicitação inicial, permitindo uma viagem de quatro dias ao país centro-americano.
Localizado em Tecoluca, a cerca de uma hora de San Salvador, o Cecot foi inaugurado em janeiro de 2023 sob o estado de exceção em vigor desde 2022. O complexo, projetado para até 40 mil detentos, abriga atualmente quase 20 mil, segundo o diretor Belarmino García. Durante o tour, iniciado às 7h45 na Casa Presidencial, o grupo passou por controles rigorosos e observou celas com 80 a 100 presos, beliches de metal de quatro andares, sem travesseiros ou lençóis. Os internos permanecem 23 horas e 30 minutos por dia nas celas, comem com as mãos e nunca veem o sol novamente. 'Aqui nunca se apaga a luz', explicou García sobre a iluminação constante.
O presídio é vigiado por 600 militares e 250 policiais, com cercas eletrificadas e torres armadas. García destacou que os detentos são 'psicopatas' de gangues como a MS-13, exibindo tatuagens simbólicas. Atividades limitadas incluem leitura bíblica e exercícios, mas sem banho de sol. Uma exceção notável foram 252 venezuelanos deportados dos EUA por Donald Trump em 2025, libertados após denúncias de tortura pela Human Rights Watch e Cristosal, incluindo espancamentos e abusos sexuais.
Para apoiadores de Bukele, o Cecot representa o sucesso na redução da violência; críticos veem erosão democrática. A série também abordará visitas de políticos brasileiros e relatos de familiares. Um detento, Alex Alfredo Ábrego, da MS-13, disse à Folha: 'Vivo melhor [aqui]. Tenho todo o básico para viver neste lugar.'