Desde janeiro de 2023, 14 políticos brasileiros, incluindo deputados e um governador, visitaram El Salvador para conhecer a prisão Cecot, inspirados na política de segurança de Nayib Bukele. Essas viagens custaram pelo menos R$ 407,2 mil aos cofres públicos. A prisão é elogiada por visitantes, mas criticada por denúncias de tortura e encarceramento em massa.
O Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), inaugurado em janeiro de 2023 em El Salvador, atraiu 14 políticos brasileiros interessados na abordagem de segurança pública do presidente Nayib Bukele. Desses, 12 são deputados federais, um é senador e um é governador. As visitas, que totalizaram pelo menos R$ 407,2 mil em gastos públicos, ocorreram em comitivas organizadas.
A primeira viagem, em dezembro de 2023, incluiu o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Ubiratan Sanderson (PL-RS), Capitão Alden (PL-BA), Coronel Assis (União Brasil-MT) e Delegada Ione (Avante-MG). Cada um gastou cerca de R$ 9.300 em estadia e R$ 9.860 em passagens. Osmar Terra (PL-RS) e Alexandre Ramagem (PL-RJ) também participaram, com Terra usando verba de gabinete.
Em 2025, uma segunda comitiva trouxe Paulo Bilynskyj (PL-SP), Padovani (União Brasil-PR), Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG), Delegado Fabio Costa (PP-AL), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Coronel Assis novamente. Eduardo e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se juntaram, com custos de R$ 10.600 por estadia e R$ 6.873 por passagens. O governador Romeu Zema (Novo-MG) visitou em maio de 2024, gastando R$ 197 mil do estado, mas sem ir ao Cecot.
Bukele ganhou popularidade ao desmantelar gangues como MS-13 e Barrio 18, sob estado de exceção desde março de 2022. El Salvador tem 1.659 detentos por 100 mil habitantes em 2024, com 109.519 presos — 1,7% da população. Organizações como Cristosal denunciam torturas e detenções de inocentes.
Políticos brasileiros elogiaram o modelo. "Conheci inúmeros presídios no Brasil e confesso não conhecer nenhum que possua melhores condições de higiene, alimentação e salubridade", disse Sanderson. Alden defendeu: "O custo de uma visita técnica é irrisório perto do custo da violência no Brasil." Zema sugeriu uma versão do Cecot na Amazônia. No entanto, o governo de Minas afirmou que a viagem de Zema foi técnica e não abordou procedimentos penais locais.
A prisão Cecot, visitada pela Folha em dezembro, tem celas para 80 pessoas e segurança com bloqueios militares, mas é criticada por falhas em revistas e condições que violam direitos humanos.