As prisões de El Salvador funcionam a 157% de sua capacidade, superando os 140% do sistema brasileiro, em meio a um apagão de dados públicos sob o governo de Nayib Bukele. A taxa de encarceramento no país centro-americano é a maior do mundo, com denúncias de violações de direitos humanos. Mesmo com a inauguração do Cecot em 2023, o déficit de vagas persiste.
O governo de Nayib Bukele em El Salvador tem promovido uma política de encarceramento em massa desde o estado de exceção iniciado em 2022, resultando em 109.519 presos em 2024, segundo a ONG Cristosal, ou 111.207 conforme o Observatório Universitário de Direitos Humanos da UCA. Com uma população de 6,6 milhões, isso equivale a uma taxa de 1.659 detentos por 100 mil habitantes, o maior índice global alcançado em menos de dois anos. As instalações prisionais, no entanto, não acompanham o ritmo: antes do Cecot, inaugurado em janeiro de 2023 com capacidade para 40 mil internos, o sistema tinha apenas 30.864 vagas, baseado em dados de 2021 da embaixada americana. Com o atual número de presos, o déficit ultrapassa 40 mil vagas, operando a 157% da capacidade total. Sem o Cecot, as demais prisões atingem 213% de lotação, com 96.675 detentos em 30.864 vagas. A transparência é limitada: estatísticas oficiais sobre população carcerária e capacidade permaneceram confidenciais em 2024, e contratos do Cecot foram sigilosos até dezembro de 2024, com renovação por mais sete anos em fevereiro de 2025. Organizações como Cristosal registraram 3.643 denúncias de abusos de março de 2022 a abril de 2024, em um sistema que veta acesso a ONGs, familiares e advogados. No Brasil, a situação é similar, mas menos grave: 701.637 presos em capacidade para 499.341, operando a 140%, segundo o Senappen no primeiro semestre de 2025. Prisões como o Centro de Observação e Triagem Everardo Luna, em Recife, chegam a 700% de lotação, com 6.559 em 950 vagas, conforme o CNJ em novembro de 2025. O observatório da UCA alerta: 'A continuação do estado de exceção significa que a superlotação carcerária continua aumentando, uma vez que estabelece a prisão preventiva por um período superior a dois anos.' Recentemente, o presidente da Costa Rica, Rodrigo Chaves, iniciou a construção de uma prisão similar ao Cecot, afirmando: 'Durante anos, nos venderam mentiras perigosas, dizendo que o crime organizado é complexo demais para ser combatido. Não é complexo.'