O presidente Lula anunciou planos para recriar o Ministério da Segurança Pública, separando-o do de Justiça, após a saída do ministro Ricardo Lewandowski. A deputada Adriana Accorsi (PT-GO), cotada para o cargo, afirma que a medida não tem motivações eleitorais e visa corrigir um erro do governo anterior. A iniciativa depende da aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso.
A recriação do Ministério da Segurança Pública ganhou impulso com a demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciada para esta sexta-feira (9). Em carta ao presidente Lula, Lewandowski citou limitações políticas, conjunturais e orçamentárias durante sua gestão de quase dois anos. Sua saída remove uma resistência à separação das pastas, pois ele se opunha à cisão.
Lewandowski, ex-ministro do STF, foi escolhido para aproximar o governo do Judiciário, atuando como ponte institucional. No entanto, sua gestão enfrentou desgastes, como a fuga de dois detentos do Comando Vermelho do presídio de Mossoró em 2023 e a morte de 122 pessoas em operação policial no Rio de Janeiro em 2025 contra o mesmo grupo. Ele também gerou controvérsias com a declaração de que "a polícia prende mal e o Judiciário é obrigado a soltar", criticada por associações policiais.
Apesar dos desafios, avanços incluem o Núcleo de Combate ao Crime Organizado, que levou à Operação Carbono Oculto contra o PCC, considerada a maior do país nesse combate. Outras medidas englobam protocolo de uso da força, programa de câmeras corporais, modernização com compra de equipamentos e o programa Pena Justa para o sistema prisional. Projetos como a PEC da Segurança e o PL Antifacção, porém, tramitam no Congresso sem data para análise.
A deputada Adriana Accorsi (PT-GO), sugerida pelo PT para comandar a nova pasta, defende a recriação como correção do "equívoco" de unir segurança à Justiça no governo Bolsonaro. "A junção com a Justiça no governo passado foi um equívoco, porque segurança pública é um tema de grande preocupação da população", afirma. Ela enfatiza que Lula age para proteger o povo, sem preocupação eleitoral, e que a PEC é urgente contra o crime organizado interestadual. Accorsi avalia que o ano eleitoral não impedirá a aprovação, priorizando fortalecimento da Polícia Federal e integração de informações.
Secretários estaduais criticam o pouco diálogo na gestão Lewandowski, mas reconhecem melhorias no Fundo Nacional de Segurança Pública. A medida de Lula responde a uma das maiores preocupações dos brasileiros, área em que governos de esquerda historicamente enfrentam dificuldades.