A Organização Internacional do Café divulgou uma queda de 10% nos preços médios do café em fevereiro, em meio a uma melhora nas perspectivas de oferta. As previsões de uma safra recorde no Brasil contribuíram para a queda, embora o bloqueio no Estreito de Ormuz introduza incertezas no mercado.
A Organização Internacional do Café (OIC) publicou seu último relatório, indicando que os preços do café caíram 10% em fevereiro. Essa queda média mensal ocorreu quando as perspectivas de oferta se fortaleceram, segundo dados da OIC divulgados em 17 de março em Londres, Reino Unido. As previsões recentes de uma safra abundante em 2025/26 no Brasil pressionaram os preços para baixo. A StoneX prevê uma safra recorde de 75,3 milhões de sacas, representando um aumento de 20,8% em relação ao ano anterior. As condições climáticas favoráveis nas principais regiões de cultivo sustentam essas expectativas. Os analistas do setor na convenção anual da NCA discutiram as possíveis oscilações de preços este ano. Alguns preveem que os futuros do arábica cairão para até US$ 1,80/lb no final do ano, comparando com a queda de 70% do cacau após ultrapassar US$ 12.000/tonelada em dezembro de 2024. Os futuros do Robusta também atingiram a mínima de sete meses em 18 de março em Londres, com os traders prevendo uma forte produção brasileira a partir do próximo mês. Contrapondo-se a essas pressões de baixa, as tensões geopolíticas estão criando ventos contrários. A escalada de conflitos no Oriente Médio fez com que o Estreito de Ormuz permanecesse efetivamente fechado, interrompendo as rotas globais de transporte marítimo. Isso fez com que os preços do gás e do petróleo aumentassem drasticamente, com o petróleo Brent atingindo US$ 116 por barril em 19 de março - atingindo o valor mais alto desde o final de fevereiro - e podendo chegar a US$ 200 por barril sem solução. Os custos mais altos de logística, transporte e energia ameaçam a estabilidade do setor cafeeiro.