A região do Karoo, na África do Sul, revela seu passado único por meio de histórias de uma igreja histórica, fabricação tradicional de tijolos e uma operadora de telefone aposentada. Viajantes encontram personagens coloridos e tradições atemporais em meio a vastas paisagens. Essas vinhetas destacam o charme duradouro da área e o espírito comunitário.
Na aldeia de Hanover, na província do Cabo Setentrional, a Igreja Mãe NG ergue-se como peça central desde sua abertura em 1907. Os fiéis levavam suas próprias cadeiras para os cultos, e antes da chegada da eletricidade, os candelabros funcionavam a gás metano de estrume de ovelhas. A igreja viu líderes excêntricos, incluindo o primeiro dominee que construiu sua casa pastoral em forma de 'B-para-Belém'. Outro, Thomas Francois Burgers, promoveu um cristianismo individualista, rejeitando a verdade literal da Bíblia, o que levou à sua expulsão. Mais tarde, ele se tornou o quarto presidente da República Sul-Africana.
Zeladores como Tannie Mollie Kleingeld serviram devotamente, subindo as escadas da torre até os 86 anos após mais de 30 anos. O atual zelador Mike Burger descreve suas funções: 'Limpar a igreja, cuidar do jardim, arrumar as mesas, dar corda nos relógios e tocar o sino no domingo.'
Perto dali, em Richmond, a família Kiewiedo continua a produção de tijolos no estilo bíblico na Danielskuil Steenmakery. Um burro aciona o processo, misturando argila em um cilindro semelhante a um parafuso de Arquimedes, com assistentes moldando até 6.000 tijolos por dia. A alta demanda exige grandes depósitos, e eles criaram tijolos com letras do alfabeto para a galeria de arte local. A filosofia da cidade ecoa no slogan 'Werk, vrek of trek' – trabalhar, morrer ou partir – enquanto uma picape vintage exibe uma variante: 'Vrek, Werk of Trek.'
MJ Swart, operador manual de telefone aposentado, preservou sua carreira de 40 anos instalando partes da central em casa. 'Eu era o Google antes do Google ser Google', disse ele, enquanto os locais buscavam respostas rápidas via 'Vra Sentrale'. Criadores de pombos perguntavam sobre o tempo, e nos anos posteriores, o sistema conectava fazendas onde até 10 ouvintes escutavam, às vezes roncando em conversas chatas.
Uma viagem de carro pelo Karoo captura essa essência: de bombas de vento e suricatos a manhãs na fazenda e rodovias abertas, misturando isolamento com encontros calorosos.