A meio caminho entre Cidade do Cabo e Joanesburgo, a histórica cidade de Richmond, no Cabo Setentrional da África do Sul, esconde um caráter encantador por trás de sua fachada comum. Outrora ignorada por viajantes na autoestrada N1, atrai visitantes com sua cultura de livros, comunidade acolhedora e charme tranquilo. Os residentes compartilham histórias de encontrar paz e senso de pertencimento nesta joia do Karoo.
Aninhada na região central do Karoo, Richmond parece banal à primeira vista, frequentemente ultrapassada na rota N1. No entanto, para quem para, seu apelo se revela por meio de uma vibrante cena literária e uma comunidade unida. Como a única cidade de livros registrada na África, abriga lojas como a Karoo Bookshop, aberta por Hennie Smit e sua esposa Rezia, repleta de volumes centenários do chão ao teto.
Todo outubro, a cidade sedia o Boekbedonnerd Book Festival, cuja 20ª edição está programada para o próximo ano, segundo John Donaldson, dono da livraria. Toques artísticos da organização sem fins lucrativos Modern Art Projects South Africa adornam as paredes com poemas e murais, enriquecendo o tecido cultural.
Os gêmeos Ian e Hennie Smit, construtores de Cidade do Cabo, aposentaram-se aos 50 anos e se estabeleceram em Richmond há oito anos, após uma única pernoite os convencer de que ali era o lar. Ian agora gerencia vários negócios, incluindo uma loja de antiguidades que serve como centro de informações da cidade. 'Richmond é a cidade que você quase perdeu', diz ele. Seu irmão Hennie faleceu em janeiro, uma perda profunda para o par inseparável, mas Ian encontrou consolo nas amizades locais. 'É isso que é Richmond. Acho que outra forma de soletrar Richmond é amor. Amor incondicional. Todos por todos', reflete Ian.
A comunidade acolhe os recém-chegados, como visto com Chloe Wales, que se mudou de Cidade do Cabo em 2019. 'É melhor aqui. Não há crime, não há gangsterismo. É muito tranquilo e pacífico', observa ela. O bem-estar animal também é forte; a esposa de Ian, Maksie, lidera a Richmond Animal Welfare, que recentemente esterilizou 90 cães em um dia.
As dinâmicas sociais refletem o legado do apartheid, com divisões raciais no layout espacial. Donaldson observa integração limitada devido à falta de espaços comuns, enquanto o artista Valentino Williams relata nenhuma discriminação pessoal, mas reconhece tensões entre grupos negros e coloureds.