Microplásticos comprometem absorção de carbono do oceano, alerta estudo

Um novo estudo revela que os microplásticos estão a perturbar o papel vital do oceano na absorção de dióxido de carbono, podendo agravar o aquecimento global. Os investigadores destacam como estas partículas minúsculas interferem com os organismos marinhos e libertam gases de efeito de estufa. As conclusões apelam a uma ação global urgente para abordar a poluição plástica em conjunto com os esforços climáticos.

Cientistas descobriram uma ligação preocupante entre microplásticos e alterações climáticas num estudo publicado no Journal of Hazardous Materials: Plastics. Intitulado «From pollution to ocean warming: The climate impacts of marine microplastics», a investigação, liderada pelo Dr. Ihsanullah Obaidullah da University of Sharjah, examina como estas partículas com menos de cinco milímetros afetam os ciclos de carbono oceânicos. Os microplásticos, encontrados em águas profundas do oceano, ar, solo e até no corpo humano, representam riscos ao transportar toxinas e perturbar ecossistemas. O estudo, um esforço colaborativo envolvendo especialistas da China, Hong Kong, Paquistão e Emirados Árabes Unidos, analisou 89 artigos revistos por pares, principalmente após 2015. Identifica perturbações na «bomba de carbono biológica», onde o fitoplâncton e zooplâncton transferem carbono da atmosfera para camadas profundas do mar. «Os microplásticos perturbam a vida marinha, enfraquecem a 'bomba de carbono biológica' e até libertam gases de efeito de estufa à medida que se degradam», explicou o Dr. Obaidullah. As partículas prejudicam a fotossíntese do fitoplâncton e o metabolismo do zooplâncton, ao mesmo tempo que fomentam uma «plastisféra»—uma comunidade microbiana nas superfícies plásticas que aumenta a produção de gases de efeito de estufa através de atividades nos ciclos de azoto e carbono. Os oceanos funcionam como o maior sumidouro de carbono da Terra, mas os microplásticos ameaçam esta função, podendo levar ao aquecimento, acidificação, perda de biodiversidade e riscos para a segurança alimentar e comunidades costeiras. Os investigadores notam que mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente, metade para uso único e menos de 10 por cento reciclado. Sem mudanças, a produção pode triplicar até 2060, e os humanos já geraram mais de 8,3 mil milhões de toneladas, 80 por cento das quais acabam em aterros ou no ambiente. Os autores defendem a integração da poluição plástica nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, melhoria da gestão de resíduos, promoção de alternativas biodegradáveis e uso de IA para monitorização. «Combater a poluição plástica é agora parte da luta contra o aquecimento global», afirmou o Dr. Obaidullah. Enfatizam políticas coordenadas para mitigar efeitos a longo prazo na saúde oceânica.

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