Pilhas de roupas descartadas se acumulam no Deserto de Atacama, no Chile, destacando a poluição global da moda rápida. A indústria produz 170 bilhões de peças anualmente, com metade descartada em um ano, contribuindo com 10 por cento das emissões de aquecimento planetário. Esse sistema, acelerado por mudanças comerciais, prejudica água, ar e terra em toda a cadeia de suprimentos.
No Deserto de Atacama, no Chile, um dos lugares mais secos da Terra, importações de roupas usadas formaram montes massivos desde 2001. O maior, pesando 100.000 toneladas em 2022, foi queimado, liberando fumaça tóxica em cidades próximas. Esses aterros vêm do porto livre de Iquique, que recebe roupas de segunda mão dos Estados Unidos, Europa e Ásia. Embora algumas sejam revendidas, a maioria dos itens de moda rápida é abandonada, ignorada pelo governo apesar de ações judiciais de ativistas.
Os problemas da indústria da moda remontam à produção. Fibras sintéticas, agora 70 por cento dos têxteis, derivam do petróleo; fabricar poliéster emite carbono equivalente a 180 usinas de carvão por ano. O algodão, usado em jeans e camisetas, exige 500 galões de água de irrigação mais 1.500 galões de água da chuva por peça e consome 16 por cento dos inseticidas globais. Processos de tingimento poluem 20 por cento da água mundial com 72 químicos tóxicos, incluindo metais pesados, devastando rios como o Citarum, na Indonésia, onde resíduos de fábricas causaram problemas de saúde como erupções cutâneas e tumores.
Políticas comerciais agravaram a crise. O fim do Acordo Multifibras em 2005 inundou mercados com importações baratas da China e Bangladesh. A expansão da brecha de minimis em 2016 impulsionou marcas ultrarrápidas como Shein, que lança 10.000 itens diários via envio aéreo intensivo em carbono, emitindo 16 milhões de toneladas métricas de CO2 em 2023. Superprodução leva a 8 a 60 bilhões de peças excedentes anuais, muitas aterros ou incineradas.
Mesmo itens usados prejudicam: jeans de moda rápida são usados sete vezes em média, liberando microplásticos —500.000 toneladas métricas entram nos oceanos anualmente. Os EUA, principal consumidor de vestuário, exportam o maior desperdício, segundo Rachel Kibbe da American Circular Textiles. Esforços como a lei de reciclagem têxtil da Califórnia de 2024 e proibições da UE de destruir bens invendidos visam promover circularidade, mas desafios persistem com tecidos mistos e recicladores falidos como Renewcell. Como observa a designer Lynda Grose, toda a indústria adota táticas de moda rápida, exigindo regulamentações mais amplas para conter o desperdício.