Um novo estudo da University of British Columbia revela que os hábitos alimentares devem mudar para ajudar a limitar o aquecimento global a menos de 2°C. Pesquisadores descobriram que metade da população mundial, incluindo quase todos os canadenses, excede os níveis seguros de emissões alimentares. Mudanças práticas, como reduzir carne bovina e desperdício de alimentos, poderiam cortar significativamente as emissões.
A pesquisa, publicada em Environmental Research: Food Systems em 2025, analisou dados de 112 países que representam 99 por cento das emissões de gases de efeito estufa relacionadas à alimentação global. Liderada pelo Dr. Juan Diego Martinez durante seu tempo como estudante de doutorado no Institute for Resources, Environment and Sustainability da UBC, o estudo usou dados de consumo de 2012 para calcular orçamentos pessoais de emissões alimentares alinhados ao limite de aquecimento de 2°C.
Os principais achados mostram que 44 por cento da população global precisa atualmente alterar seus padrões alimentares, um número esperado para subir para 90 por cento até 2050 à medida que emissões e população crescem. Sistemas alimentares contribuem com mais de um terço de todas as emissões de gases de efeito estufa humanas, com os 15 por cento mais ricos da população — frequentemente em nações de altas emissões como Canada, Brazil e Australia— responsáveis por 30 por cento das emissões alimentares sozinhos. No Canada, todos os grupos de renda superam o limite de emissões, com carne bovina respondendo por 43 por cento das emissões alimentares de uma pessoa média.
O Dr. Martinez enfatizou passos acionáveis: “Coma apenas o que precisa. Reutilize o que não. Menos comida desperdiçada significa menos emissões, menos cozimento e mais sobras fáceis e saborosas.” Ele também defendeu a redução no consumo de carne bovina, notando: “Cresci na América Latina onde comer muita carne bovina faz parte da cultura, então entendo o quão grande é esse pedido. Mas não podemos mais negar os dados.” Além das escolhas individuais, ele instou impacto mais amplo: “Vote com o seu garfo. Este é o primeiro passo para exigir mudanças dos seus líderes políticos.”
Embora debates sobre reduzir voos ou consumo de luxo sejam importantes, o estudo destaca a relevância universal da alimentação, pois todos devem comer. Esses ajustes dietéticos, combinados com eficiências na cadeia de suprimentos, poderiam ajudar a atingir metas climáticas sem depender exclusivamente de outros setores.