Pesquisadores do MIT inventaram uma pílula engolível que sinaliza quando o medicamento é tomado, visando combater as baixas taxas de adesão entre pacientes. O dispositivo usa uma antena biodegradável para transmitir uma confirmação sem fio logo após a ingestão. Essa inovação poderia beneficiar grupos de alto risco como receptores de transplante de órgãos e aqueles com infecções crônicas.
A não adesão à medicação é um desafio global de saúde, contribuindo para centenas de milhares de mortes evitáveis e bilhões em custos desnecessários por ano. Para enfrentar isso, engenheiros do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveram uma nova 'pílula inteligente' que confirma a ingestão sem alterar o medicamento em si. O sistema se integra a cápsulas existentes e possui uma antena de radiofrequência (RF) biodegradável feita de zinco embutido em uma partícula de celulose. O exterior de gelatina da pílula é revestido com celulose e molibdênio ou tungstênio para bloquear sinais até ser engolida. Uma vez no estômago, o revestimento se dissolve, permitindo que a antena receba um sinal externo e transmita a confirmação via um pequeno chip RF — tipicamente em 10 minutos. O chip, medindo 400 por 400 micrômetros, passa naturalmente pelo trato digestivo, enquanto outros componentes se degradam no estômago em cerca de uma semana usando materiais seguros como zinco e celulose. 'Escolhemos esses materiais reconhecendo seus perfis de segurança muito favoráveis e também a compatibilidade ambiental', disse Giovanni Traverso, autor sênior do estudo e professor associado de engenharia mecânica no MIT. A pesquisa, liderada por Mehmet Girayhan Say e Sean You, foi publicada em 8 de janeiro de 2026 na Nature Communications. Em testes com animais, o dispositivo enviou sinais com sucesso do estômago para um receptor a até 2 pés de distância. Ensaios clínicos futuros em humanos poderiam combiná-lo com wearables para alertar provedores de saúde. Traverso enfatizou seu potencial para pacientes que precisam de regimes rigorosos, como receptores de transplante de órgãos em imunossupressores, aqueles tratando HIV ou tuberculose, indivíduos com stents e pessoas com condições neuropsiquiátricas. 'O objetivo é garantir que isso ajude as pessoas a receberem a terapia de que precisam para maximizar sua saúde', acrescentou Traverso. O financiamento veio de fontes incluindo Novo Nordisk e o Departamento de Engenharia Mecânica do MIT. Estudos pré-clínicos continuam enquanto a equipe visa aplicações clínicas.