Cientistas da Universidade Tufts desenvolveram um método usando bactérias geneticamente modificadas para produzir eficientemente tagatose, um açúcar raro que imita o sabor do açúcar de mesa com menos riscos à saúde. Este avanço pode fornecer uma alternativa de baixa caloria que apoia a saúde oral e intestinal sem elevar o açúcar no sangue. A inovação atinge rendimentos de até 95%, superando em muito as técnicas tradicionais de produção.
Por mais de um século, pesquisadores buscaram substitutos do açúcar que entreguem doçura sem as calorias, cáries dentárias e riscos de obesidade e diabetes ligados à sacarose. Um novo estudo da Universidade Tufts traz uma solução promissora: produção biossintética de tagatose, um açúcar naturalmente raro encontrado em pequenas quantidades em laticínios e frutas como maçãs e abacaxis. A tagatose oferece 92% da doçura da sacarose, mas com cerca de 60% menos calorias. Classificada pela FDA como «geralmente reconhecida como segura», é absorvida minimamente no intestino delgado e fermentada por bactérias intestinais, resultando em pouco impacto nos níveis de glicose ou insulina no sangue. Estudos mostram que ela limita bactérias orais causadoras de cáries e pode promover micróbios benéficos na boca e intestino. A equipe de Tufts, liderada por Nik Nair, professor associado de engenharia química e biológica, modificou bactérias Escherichia coli como «pequenas fábricas». Eles incorporaram uma enzima de mofo viscoso, galactose-1-fosfato-fosfatase seletiva (Gal1P), para converter glicose abundante em galactose, seguida de isomerase de arabinose para produzir tagatose. «Existem processos estabelecidos para produzir tagatose, mas são ineficientes e caros», disse Nair. Este método aumenta os rendimentos para 95%, comparado a 40-77% em técnicas anteriores, tornando-o mais econômico. Diferente de adoçantes de alta intensidade, a tagatose atua como adoçante volumoso, dourando como açúcar quando aquecida e combinando com sua sensação na boca. «A inovação chave... foi encontrar a enzima Gal1P do mofo viscoso e inseri-la em nossas bactérias de produção», explicou Nair. Publicado em Cell Reports Physical Science em 2025, a pesquisa pode permitir síntese eficiente de outros açúcares raros, transformando potencialmente a produção de alimentos para opções mais saudáveis.