Pesquisadores em Israel usaram edição genética CRISPR para desativar um gene que produz substâncias amargas na toranja, tornando potencialmente a fruta mais atraente para os consumidores. Essa inovação pode expandir o mercado de cítricos e combater a devastadora doença do greening dos cítricos, permitindo variedades resistentes ao frio e comestíveis. A abordagem visa transferir o cultivo de cítricos para regiões temperadas como o norte da Europa.
Em uma tentativa de tornar a toranja menos amarga, cientistas do Volcani Center em Rishon LeZion, Israel, empregaram a tecnologia CRISPR para desativar o gene responsável pela produção de naringina, neohesperidina e poncirina — os principais compostos por trás do sabor forte da fruta. «Pode expandir o mercado», diz Nir Carmi, pesquisador da equipe. «As crianças geralmente não gostam de toranja porque é amarga demais para elas».O trabalho aborda múltiplos desafios enfrentados pela indústria citricola. Uma doença bacteriana conhecida como greening dos cítricos, ou huanglongbing, está devastando pomares, particularmente em áreas subtropicais como a Flórida. Os insetos que transmitem as bactérias não sobrevivem a invernos frios, limitando o cultivo a climas mais quentes. No entanto, as variedades de cítricos resistentes ao frio existentes, como a laranjeira trifoliada, são incomestíveis devido aos seus altos níveis de amargor.Ao editar o gene produtor de enzima, a equipe criou árvores de toranja em que esses compostos amargos eram indetectáveis nas folhas, sugerindo que a fruta também carecerá deles quando madura. As árvores de toranja levam vários anos para produzir frutos, então testes de sabor estão pendentes. As plantas editadas atuais incluem um gene marcador, classificando-as como transgênicas e complicando a aprovação regulatória em muitos países. Nos EUA e no Japão, edições genéticas simples sem tais marcadores não são consideradas engenharia genética, facilitando o caminho para o mercado.Os pesquisadores planejam repetir a edição sem o gene marcador, um processo descrito pela integrante da equipe Elena Plesser como «muito tedioso». Eles também pretendem aplicar a técnica à laranjeira trifoliada e hibridizar os resultados com variedades populares como laranjas para desenvolver frutos sem sementes, deliciosos e tolerantes ao frio — um objetivo que pode levar muitos anos.Nir Carmi acredita que o projeto de seu grupo é o mais avançado entre esforços semelhantes em todo o mundo. Erin Mulvihill, da Universidade de Ottawa, observa que tal edição poderia melhorar significativamente a palatabilidade da fruta. No entanto, as interações da toranja com medicamentos como estatinas, em parte devido à naringina, persistem; eliminá-las completamente exigiria editar múltiplos genes.Os achados aparecem em The Plant Journal (DOI: 10.1111/tpj.70654).