Uma tecnologia genética chamada gene drive mostrou promessa em prevenir a transmissão de malária por mosquitos durante testes de laboratório na Tanzânia. Pesquisadores modificaram mosquitos locais para produzir proteínas antimaláricas, demonstrando inibição eficaz de parasitas de crianças infectadas. Os achados sugerem que a abordagem poderia funcionar no campo se liberada.
Cientistas avançaram em uma estratégia para combater a malária usando gene drives, que enviesam a herança para espalhar genes específicos através de populações de mosquitos. Em um laboratório seguro no Ifakara Health Institute, na Tanzânia, pesquisadores liderados por George Christophides, do Imperial College London, e Dickson Lwetoijera modificaram mosquitos Anopheles gambiae, o principal vetor de malária na região.
O gene drive incorpora genes para duas pequenas proteínas —uma de abelhas melíferas e outra do sapo-de-unha-africano— que interrompem o desenvolvimento do parasita da malária. Essas proteínas são produzidas após o mosquito se alimentar de sangue, graças à ligação com um gene de enzima digestiva, e são secretadas no intestino. Trabalho anterior de Christophides em 2022 identificou essas proteínas usando linhagens de laboratório desatualizadas, mas os novos testes usaram parasitas frescos de crianças infectadas e mosquitos locais.
Os resultados confirmaram supressão robusta do crescimento do parasita e cópia confiável do gene, mesmo com os componentes do drive mantidos separados para evitar propagação descontrolada. "Então, agora podemos dizer que essa tecnologia poderia funcionar no campo", afirmou Christophides.
A próxima fase envolve liberar mosquitos modificados em uma ilha no Lago Vitória para observar seu comportamento selvagem. A equipe está consultando comunidades locais e realizando avaliações de risco, com Lwetoijera notando: "Até o momento, o apoio político e público permaneceu positivo."
Christophides visualiza o drive eliminando a malária em áreas dominadas por A. gambiae, chamando-o de "tecnologia que muda o jogo" que "pode virar o jogo". Diferente das liberações atuais de mosquitos modificados que exigem esforços massivos contínuos, os gene drives poderiam se autopropagar. Outras equipes estão desenvolvendo ferramentas semelhantes para malária e controle de pragas, com o estudo publicado na Nature (DOI: 10.1038/s41586-025-09685-6).