Pesquisadores desenvolveram um método para transformar sobras do processamento de cenouras em uma fonte de proteína nutritiva usando fungos comestíveis, que voluntários preferiram em alimentos veganos em relação às opções tradicionais. Essa inovação aborda a segurança alimentar global ao repurpor resíduos em alternativas sustentáveis. O estudo destaca o potencial do micélio fúngico para reduzir o impacto ambiental enquanto fornece nutrição de alta qualidade.
Como a fome global afeta uma em cada 11 pessoas e mais de três bilhões não podem pagar por dietas saudáveis, de acordo com dados da ONU de 2023, cientistas estão explorando métodos eficientes de produção de alimentos. Uma equipe liderada por Martin Gand investigou o uso de correntes laterais de cenoura — sobras do processamento — para cultivar fungos comestíveis, conforme detalhado em um estudo de 2025 publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry.
Os pesquisadores testaram 106 linhagens fúngicas em resíduos de cenouras laranja e pretas usadas na produção de corantes naturais. Pleurotus djamor, conhecido como cogumelo ostra rosa, mostrou-se o mais eficaz, produzindo micélio com valores de proteína comparáveis a fontes animais e vegetais. Esse micélio é baixo em gordura, contém fibra benéfica e cresce rapidamente sem necessidade de terras agrícolas adicionais.
Com base em trabalhos anteriores com fungos em bagaço de maçã e soro de leite, a equipe otimizou as condições para aumentar a produção de proteína. Incorporaram o micélio em hambúrgueres veganos, substituindo proteína de soja em níveis de 0% a 100%. Testadores de sabor preferiram os hambúrgueres 100% micélio por textura, sabor e aroma em relação às versões de soja. Da mesma forma, salsichas veganas feitas com micélio fresco em vez de grão-de-bico embebido foram preferidas pelo cheiro e sabor.
"Este estudo é um passo significativo em direção a uma economia circular ao transformar correntes laterais alimentares valiosas em uma fonte de proteína de alta qualidade, destacando o potencial do micélio fúngico para enfrentar os desafios de segurança alimentar global e sustentabilidade", afirmou Gand. Ele acrescentou: "utilizar correntes laterais como substrato para produção de micélio reduz o impacto ambiental enquanto adiciona valor e apoia a segurança alimentar ao possibilitar uma produção de proteína eficiente e sustentável".
Apoiado por recursos institucionais e GNT Europa GmbH, essa abordagem transforma resíduos em uma proteína viável e atraente, promovendo um futuro de baixo desperdício para os sistemas alimentares.