Um novo livro de Bruce Friedrich argumenta que carnes cultivadas e à base de plantas oferecem uma alternativa sustentável à pecuária tradicional, que contribui significativamente para danos ambientais. Em uma entrevista, Friedrich destaca as ineficiências e emissões da produção convencional de carne, enquanto delineia o potencial para inovação em proteínas alternativas. Ele pede colaboração entre novos e tradicionais players da indústria para impulsionar o progresso.
Bruce Friedrich, fundador e presidente do Good Food Institute, lançou um livro intitulado Meat: How the Next Agricultural Revolution Will Transform Humanity’s Favorite Food — and Our Future. O livro examina os custos ambientais e de eficiência da produção convencional de carne e defende alternativas como carnes cultivadas e à base de plantas. Friedrich cita um relatório de 2006 da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, Livestock’s Long Shadow, que detalha como a pecuária animal impulsiona o desmatamento, as mudanças climáticas, a poluição do ar e da água, o esgotamento da água e a perda de biodiversidade. Identifica o gado como a principal causa do desmatamento. Ele observa que esses problemas se intensificaram, com a pecuária animal representando agora cerca de 20 por cento das emissões climáticas globais. A ineficiência é gritante: produzir uma caloria de frango requer nove calorias de ração, enquanto o porco ou peixe de criação precisa de 10 ou mais, e ruminantes como vacas demandam insumos ainda maiores, resultando em mais de 800 por cento de desperdício de alimentos. A produção global de carne aumentou 65 por cento nos últimos 25 anos e projeta-se um aumento similar até 2050, agravando esses problemas. Friedrich compara a mudança com transições em energia e transporte, enfatizando uma abordagem 'de tudo acima'. Opções incluem carnes à base de plantas que imitam produtos animais de forma indistinguível e a custo menor, e carnes cultivadas em fábricas a partir de células animais, como demonstrado por empresas como Mission Barns, Impossible Foods e Eat Just. Um exemplo é um produto de porco de gordura doada por um porco de santuário chamado Dawn no interior do estado de Nova York, cultivado pela Mission Barns e misturado com ingredientes vegetais. Apesar de desafios como proibições estaduais à carne cultivada e reações contra alimentos 'ultraprocessados' que afetam empresas como Beyond Meat e Impossible Foods, Friedrich argumenta que opções à base de plantas são mais saudáveis, com menos gordura, gordura saturada, colesterol e calorias, além de mais fibras e proteínas. Ele urge incentivos para adoção, citando potencial de lucro, benefícios para a segurança alimentar em nações como China, Japão e Coreia, e apoio bipartidário nos EUA por razões econômicas. Friedrich aconselha colaboração com a indústria de carne tradicional, alertando contra resistir à mudança como a Kodak fez com a fotografia, e em vez disso abraçar oportunidades como a Canon.