Pesquisadores do Scripps Research afirmam que uma vacina experimental impediu que o fentanil e diversos opioides sintéticos relacionados chegassem ao cérebro em estudos com camundongos, oferecendo potencialmente uma maneira de atenuar os efeitos de uma overdose antes mesmo de começarem.
Cientistas do Scripps Research relataram resultados iniciais de uma vacina experimental projetada para neutralizar o fentanil e uma ampla gama de "drogas sintéticas" relacionadas ao fentanil antes que elas possam entrar no cérebro.
O trabalho, publicado no Journal of Medicinal Chemistry, testou um componente de vacina não convencional: uma molécula que compartilha algumas características com o fentanil, mas possui uma estrutura central fundamentalmente diferente. Os pesquisadores anexaram essa molécula modificada a uma proteína transportadora e vacinaram camundongos em quatro doses ao longo de oito semanas, de acordo com o Scripps Research.
Em testes laboratoriais, os camundongos vacinados produziram anticorpos que se ligaram fortemente ao fentanil e a várias variantes de alto risco, incluindo carfentanil, acetilfentanil e furanilfentanil. O Scripps também relatou que os anticorpos não se ligaram a vários opioides médicos comumente usados, como morfina, oxicodona, remifentanil e alfentanil.
A equipe afirmou que os efeitos da vacina foram refletidos em medidas fisiológicas, bem como na distribuição da droga. Em experimentos descritos pelo Scripps, camundongos que receberam doses de fentanil que normalmente causariam depressão respiratória grave mantiveram uma respiração quase normal, e os níveis de fentanil no cérebro foram cerca de 70% menores do que nos camundongos do grupo de controle não vacinados.
Kim Janda, autor sênior do estudo, disse que a estratégia visa evitar um ciclo de "tentativa e erro" no qual as contramedidas visam apenas uma estrutura de opioide ilícito por vez. Ele acrescentou que a plataforma de vacina poderia eventualmente ser relevante para pessoas em programas de recuperação de dependência química ou outros indivíduos com alto risco de exposição ao fentanil, mas enfatizou que ainda seriam necessários ensaios clínicos para determinar a segurança e a eficácia em humanos.