Cientistas do Scripps Research desenvolveram uma plataforma de nanodiscos que mimetiza membranas virais, revelando interações ocultas em proteínas do HIV e do Ebola que métodos tradicionais não detectam. A tecnologia permite um estudo mais preciso das respostas de anticorpos, podendo acelerar o desenvolvimento de vacinas. As descobertas foram publicadas na Nature Communications.
Pesquisadores liderados por William Schief no Scripps Research, em colaboração com a IAVI, criaram nanodiscos — minúsculas partículas lipídicas que incorporam proteínas da superfície viral em uma configuração que lembra as membranas externas dos vírus. Isso preserva as estruturas naturais das proteínas, diferentemente de versões laboratoriais que removem as partes de ancoragem na membrana e ocultam detalhes importantes próximos à base. A plataforma suporta testes de ligação de anticorpos, triagem de células imunes e imagens de alta resolução, agilizando a análise de semanas para dias. Schief, professor no Scripps e diretor executivo do Neutralizing Antibody Center da IAVI, afirmou: 'Nossa plataforma nos permite estudar essas proteínas em um cenário que reflete melhor seu ambiente natural, o que é crítico se quisermos entender como anticorpos protetores reconhecem um vírus.' Testes com HIV revelaram visões detalhadas de anticorpos que visam uma região estável próxima à membrana, eficaz contra diversas variantes ao interromper estruturas de infecção. Proteínas do Ebola também se ligaram a anticorpos de forma eficaz neste contexto. O primeiro autor, Kimmo Rantalainen, observou: 'A estrutura nos deu um nível de detalhe ao qual simplesmente não tínhamos acesso antes', destacando novas interações na interface da membrana. O método se estende a vírus como influenza e SARS-CoV-2. Embora não seja uma vacina em si, o método equipa os pesquisadores para avaliar candidatos de forma mais realista, como enfatizou Schief: 'Isso dá à área uma maneira mais realista e precisa de testar ideias desde o início.' O estudo, 'Virus glycoprotein nanodisc platform for vaccine analytics', lista diversos autores do Scripps e conta com apoio do NIH, da Gates Foundation e outros.