Pesquisadores nas Terras Altas do Oeste de Guatemala descobriram uma discrepância gritante entre as percepções públicas sobre a segurança da água potável e os níveis reais de contaminação. A água engarrafada, amplamente confiável como a opção mais segura, mostrou-se a mais propensa a bactérias nocivas, enquanto poços municipais protegidos surgiram como as fontes mais limpas. Os achados, publicados no Journal of Water and Health, destacam os riscos à saúde pública da água insegura.
Uma equipe da Washington State University realizou um estudo nas Terras Altas do Oeste de Guatemala, entrevistando 60 lares em áreas urbanas e rurais para avaliar a qualidade da água potável em relação às crenças locais. Os moradores frequentemente classificaram grandes galões recarregáveis de água engarrafada como a escolha mais segura, mas testes laboratoriais revelaram que era seis vezes mais provável conter bactérias coliformes —indicadores de contaminação fecal— do que outras fontes. Apenas 17% das amostras de água engarrafada atenderam aos padrões da Organização Mundial da Saúde para água potável segura. nnEntre as 11 fontes de água examinadas, bactérias coliformes apareceram em 90% das amostras, Escherichia coli em 55% e bactérias produtoras de beta-lactamasas de espectro estendido (ESBL) em 30%. Enterobacterales resistentes a carbapenêmicos (CRE) foram mais raras, mas presentes em algumas águas de tubulação doméstica. Esses organismos resistentes a antibióticos representam ameaças graves, pois podem causar infecções difíceis de tratar se entrarem na corrente sanguínea ou trato urinário. nnPoços municipais protegidos, apesar de menor confiança entre os moradores, não apresentaram contaminação por coliformes, E. coli, ESBL ou CRE devido ao selamento e cloração. No entanto, a contaminação aumentou após a água chegar às casas por tubos, com mais de 65% das amostras contendo coliformes e 28% E. coli. nn“Encontramos uma desconexão clara entre o que as pessoas acreditam sobre a segurança da água e o que realmente acontece em suas casas, o que pode ter grandes implicações para a saúde pública”, disse a autora principal, Dra. Brooke Ramay, professora assistente de pesquisa na Paul G. Allen School for Global Health da WSU. Ela observou que fontes confiáveis como água engarrafada levam a precauções omitidas, como ferver ou limpar dispensadores. “O problema geralmente não está na forma como a água é engarrafada — é o que acontece depois”, acrescentou Ramay, apontando armazenamento impróprio e dispensadores sujos como questões chave. nnGlobalmente, a água insegura afeta mais de 4 bilhões de pessoas, alimentando milhões de casos de diarreia anualmente, especialmente em crianças, e espalhando resistência antimicrobiana. O estudo destaca como percepções culturais podem agravar riscos ao desencorajar práticas higiênicas.