Centenas de mulheres se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, neste sábado (25/4), para pedir a aprovação do PL 896/23, que criminaliza a misoginia. O ato ocorreu um dia após o presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciar a criação de um grupo de trabalho para discutir o projeto, aprovado no Senado em março. A manifestação foi convocada pelo Levante Mulheres Vivas.
A concentração começou por volta das 14h, em frente ao vão livre do Masp, e por volta das 16h20, as manifestantes seguiram por duas faixas da avenida, sem interromper completamente o trânsito. O público era majoritariamente feminino, com cartazes como "Pela criminalização da misoginia" e um balão vermelho com "Feminicídio zero".
Rachel Ripani, cofundadora do Levante Mulheres Vivas, disse à Folha: "É muito importante, porque a gente não sabe como vai estar o país depois das eleições." Ela defendeu a aprovação antes do recesso para evitar que o projeto volte à gaveta, destacando sua importância para o combate à misoginia digital.
O grupo de trabalho, coordenado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), terá 45 dias e um integrante por partido. O PL 896/23, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) com substitutivo de Soraya Thronicke (Podemos-MS), equipara a misoginia ao racismo, com penas de 2 a 5 anos de detenção, inafiançável e imprescritível.
A deputada Sonia Guajajara (PSOL-SP) destacou altos índices de feminicídios em territórios indígenas. Manifestantes cantaram hinos como "Maria, Maria" e representaram movimentos como MTST e UNE.