A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, afirmou em entrevista à TV Brasil ter sofrido assédio sexual duas vezes desde que assumiu o cargo, mesmo com equipe de segurança. Ela destacou a falta de segurança para mulheres em geral e defendeu a combinação de educação e leis rigorosas para combater o problema. Janja também mencionou influenciar o presidente Lula sobre temas como feminicídio.
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, participou do programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta terça-feira (3), e revelou ter sido assediada duas vezes enquanto ocupava o cargo, após o presidente Lula (PT) assumir a presidência. "Eu posso dizer aqui que já fui assediada, neste período, duas vezes. Eu, sendo primeira-dama, estando nos lugares que acho que são seguros. Mesmo assim, fui assediada", disse ela. Janja enfatizou a vulnerabilidade das mulheres: "Está insuportável para nós, mulheres. Eu, como primeira-dama, não tenho segurança em nenhum lugar em que eu estou". Ela comparou sua situação à de uma mulher comum, afirmando: "Se eu, como primeira-dama, com uma equipe em torno, já passei por isso, imagina uma mulher no ponto de ônibus às 22h?".
Durante a entrevista, Janja defendeu que denúncias de assédio são decisões pessoais. "A denúncia é uma decisão muito pessoal de cada mulher. Eu não admito que nenhum homem diga para mim: 'você vai denunciar'. Não admito. Nenhum homem sabe a dor", declarou. Ela citou o caso da presidente do México, Claudia Sheinbaum, assediada publicamente em novembro por um homem que foi preso na Cidade do México.
Janja é uma voz ativa contra assédio e feminicídio no governo. O Brasil registrou 1.470 casos de feminicídio em 2025, um recorde, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, totalizando 13.448 vítimas desde a tipificação do crime em 2015. Ela mencionou discutir o tema com Lula: "Eu tenho feito isso no cotidiano com meu marido". Pessoas próximas ao presidente indicam que ele mudou comportamentos desde o relacionamento com Janja. No mês passado, o governo lançou um pacto contra feminicídio com outros Poderes, mas sem ações práticas ou orçamento definido.
A apresentadora Cissa Guimarães brincou: "Você viu que você fala, ele escuta e ele faz, então você trate de falar mais". Janja respondeu: "Ele reflete muito". Para combater o problema, Janja propõe unir educação e punições severas para mudar a cultura e garantir segurança às mulheres.