Jorge Messias, advogado-geral da União indicado por Lula ao STF, foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por 16 votos a 11 após sabatina de oito horas. A votação, a mais apertada desde a redemocratização, ocorre em meio a resistências, especialmente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O indicado agora precisa de 41 votos no plenário para assumir a vaga de Luís Roberto Barroso.
Jorge Messias enfrentou uma sabatina de cerca de oito horas na CCJ do Senado na quarta-feira (29), onde foi aprovado por 16 a 11. O placar é o mais apertado para indicações ao STF desde a redemocratização, superando votações anteriores como a de Flávio Dino (17 a 10) e André Mendonça (18 a 9).
O indicado pelo presidente Lula precisa agora de pelo menos 41 dos 81 senadores no plenário, em votação secreta. Messias fez acenos à oposição, defendendo autocontenção judicial, limites ao Judiciário, código de ética e imparcialidade dos juízes. Ele evitou comentar o caso Banco Master e destacou sua fé evangélica, afirmando ser um "servo de Deus", mas apoiando o Estado laico e se posicionando contra o aborto sem ativismo.
Houve resistência de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que preferia Rodrigo Pacheco para a vaga e não recebeu formalmente Messias. O governo articulou apoios com negociações de emendas e cargos, além de contatos de futuros colegas no STF como André Mendonça e Gilmar Mendes. Líderes religiosos também declararam apoio.
Bolsonaristas, cerca de 30 senadores de PL, Novo e outros, votaram contra, vendo a indicação como falta de pacificação entre poderes. Messias, conhecido como "Bessias" de um áudio de Dilma Rousseff há dez anos, tem carreira no Banco Central, Fazenda e AGU.