O Departamento de Defesa dos EUA está estocando grandes quantidades de cobalto, lítio e grafite, potencialmente desviando recursos do setor de energia limpa, de acordo com um novo relatório. Esse esforço, financiado por legislação recente, prioriza necessidades militares em meio a preocupações com ações climáticas. Especialistas alertam que tal acumulação pode dificultar a eletrificação do transporte e da produção de energia.
Um relatório do Transition Security Project destaca como a acumulação de minerais críticos pelo Pentágono está complicando a transição para energia renovável. Sob a Lei One Big Beautiful Bill Act do presidente Donald Trump, foram alocados US$ 7,5 bilhões para expandir reservas de materiais como cobalto, lítio e grafite, armazenados em seis depósitos em todo o país e gerenciados pela Defense Logistics Agency. Esses estoques, destinados ao uso em motores de jatos e armas, só podem ser acessados durante guerras declaradas ou por ordem do Subsecretário de Guerra.
Lorah Steichen, estrategista do projeto, descreve o dilema como uma escolha "entre mísseis e ônibus". As reservas planejadas incluem 7.500 toneladas métricas de cobalto e 50.000 toneladas métricas de grafite, suficientes para alimentar 102.896 ônibus elétricos —muito mais do que os cerca de 6.000 em operação nos EUA— ou para criar 80,2 gigawatts-hora de armazenamento de baterias, mais que o dobro da capacidade nacional atual.
Isso marca um renascimento do estoque militar não visto desde a Guerra Fria, quando os EUA construíram reservas para reduzir dependências estrangeiras. Em 2003, elas haviam diminuído, e os esforços durante a presidência de Joe Biden para redirecioná-las para metas climáticas não tiveram sucesso. Agora, mais US$ 2 bilhões financiam a expansão, com US$ 5,5 bilhões para desenvolvimento da cadeia de suprimentos. A Agência Internacional de Energia nota o papel desses minerais em baterias e turbinas eólicas para descarbonização.
Críticos, incluindo a geógrafa Julie Klinger da University of Wisconsin, pedem maior transparência. O exército dos EUA, o maior emissor institucional de gases de efeito estufa do mundo e responsável por 80% das emissões federais, não relata detalhes de aquisição de minerais. Um relatório do Departamento de Defesa de 2021 reconheceu que interrupções no fornecimento de elementos de terras raras prejudicariam principalmente a economia civil. Steichen enfatiza desafiar a definição centrada no militar de "minerais críticos", ligada à segurança nacional. Klinger aponta que, embora minerais em baterias possam ser reciclados, seu uso em munições os destrói irremediavelmente: "A única aplicação de minerais críticos que os destrói pelo uso é literalmente explodi-los".
O Pentágono também está investindo em minas no Alasca, Idaho e Arábia Saudita para reduzir a dependência da China, que domina o mercado. Organizações de direita como a Heritage Foundation defendem essa estratégia.