O governo de Portugal abriu uma investigação sobre supostas ofensas racistas contra Vinicius Júnior durante a partida entre Benfica e Real Madrid pela Liga dos Campeões. O incidente ocorreu após o gol do brasileiro, levando a uma paralisação de cerca de 10 minutos no jogo. Além disso, uma designer do Benfica recebeu ameaças de morte por uma arte interpretada como racista.
A partida de ida do playoff da Liga dos Campeões da Uefa, disputada no Estádio da Luz em 17 de fevereiro, terminou com vitória do Real Madrid sobre o Benfica, graças ao gol de Vinicius Júnior. Após marcar, o jogador brasileiro comemorou de forma provocativa, o que levou a uma discussão com atletas do Benfica. Vini alertou o árbitro sobre ofensas racistas, apontando para o ítalo-argentino Gianluca Prestianni, que cobriu a boca durante o confronto. O árbitro ativou o protocolo antirracismo, paralisando o jogo por aproximadamente 10 minutos. Jogadores do Real Madrid, incluindo Kylian Mbappé, expressaram revolta e ameaçaram deixar o campo.
A Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) de Portugal instaurou um processo administrativo para apurar os fatos, conforme noticiado pelo jornal espanhol Diário AS. Em comunicado, o órgão afirmou: “Após as informações divulgadas na imprensa sobre supostos insultos/atos de racismo dirigidos ao jogador do Real Madrid Vinícius Júnior durante a partida entre SL Benfica e Real Madrid CF [...], a APCVD instaurou um processo administrativo sancionador para apurar os fatos”. A investigação analisará imagens, relatórios da arbitragem e outros elementos.
Antes do jogo, uma arte promocional do Benfica, criada pela designer Marta Santinho, retratava jogadores como arqueiros, com três macacos no cinto de um deles, inspirado no provérbio japonês das Três Macaquinhas Sábias, simbolizando “não ver o mal, não ouvir o mal e não falar o mal”. Após repercussão, Santinho recebeu mais de cem mensagens, incluindo ameaças de morte. Em postagem no Instagram, ela esclareceu: “Para esclarecer a questão dos macacos no cinto do Schjelderup: a celebração dele é inspirada num provérbio japonês bastante conhecido que significa ‘não ver o mal, não ouvir o mal e não falar o mal’. [...] Foi exclusivamente nesse contexto cultural e simbólico que o trabalho foi feito, sem qualquer outro tipo de intenção”.
O caso ganhou atenção em Portugal, Espanha e Brasil, com reações de figuras como o Flamengo, que defendeu Vini Jr., afirmando que “racismo não é parte do jogo”.