Investigadores descobriram por que as poliaminas, compostos promovidos por benefícios antienvelhecimento, também podem promover o crescimento do cancro. O estudo mostra que estas moléculas ativam proteínas diferentes em células saudáveis versus cancerosas, levando a efeitos contrastantes. Liderado por especialistas da Tokyo University of Science, os achados foram publicados no Journal of Biological Chemistry.
As poliaminas são moléculas naturais encontradas em todas as células vivas, essenciais para funções como crescimento celular e especialização. Nos últimos anos, a espermidina — um tipo de poliamina — ganhou atenção pelo seu potencial em apoiar o envelhecimento saudável estimulando a autofagia, um processo que recicla componentes celulares danificados. Este efeito depende da proteína eIF5A1, que melhora a atividade mitocondrial. nnNo entanto, níveis elevados de poliaminas são comumente observados em vários cancros, onde se correlacionam com progressão tumoral rápida. Os cientistas há muito se perguntam sobre esta dualidade: como os mesmos compostos podem auxiliar a longevidade enquanto alimentam a malignidade?nnUma equipa liderada pelo Professor Associado Kyohei Higashi da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Tokyo University of Science abordou esta questão através de análise proteómica de linhas celulares de cancro humano. Manipularam os níveis de poliaminas usando fármacos e suplementação com espermidina, examinando depois mais de 6.700 proteínas. Os resultados, publicados no Volume 301, Edição 8 do Journal of Biological Chemistry em 2025, indicam que as poliaminas melhoram principalmente a glicólise nas células cancerosas — a conversão rápida de glicose em energia — em vez da respiração mitocondrial, mais relevante para o envelhecimento. nnO estudo destacou diferenças entre eIF5A1 e o seu parente próximo eIF5A2, que partilha 84% de semelhança na sequência de aminoácidos. Em células saudáveis, as poliaminas ativam eIF5A1 para promover autofagia e produção de energia. Em células cancerosas, impulsionam eIF5A2 e proteínas ribossomais como RPS 27A, RPL36AL e RPL22L1, que apoiam a proliferação regulando a expressão génica ao nível traducional. nn«A atividade biológica das poliaminas via eIF5A difere entre tecidos normais e cancerosos», explicou o Dr. Higashi. «Em tecidos normais, eIF5A1 ativada por poliaminas ativa mitocôndrias via autofagia, enquanto em tecidos cancerosos, eIF5A2, cuja síntese é promovida por poliaminas, controla a expressão génica ao nível traducional para facilitar a proliferação de células cancerosas.»nnAlém disso, as poliaminas foram encontradas inibindo miR-6514-5p, um microRNA que normalmente suprime a produção de eIF5A2, permitindo níveis mais elevados em contextos cancerosos. nnEstas percepções sugerem eIF5A2 como alvo terapêutico potencial. «Os nossos achados revelam um papel importante para eIF5A2, regulada por poliaminas e miR-6514-5p, na proliferação de células cancerosas, sugerindo que a interação entre eIF5A2 e ribossomas, que regula a progressão do cancro, é um alvo seletivo para o tratamento do cancro», notou o Dr. Higashi. Esta abordagem poderia conter o crescimento tumoral sem perturbar os benefícios das poliaminas no envelhecimento saudável. nnA investigação foi apoiada por subsídios da Japan Society for the Promotion of Science e outras fundações.