A estatal espanhola SEPI manifestou à Indra sua preocupação com o conflito de interesses na aquisição da Escribano Mechanical & Engineering (EM&E), de propriedade do presidente Ángel Escribano, cujo irmão Javier a dirige e faz parte da diretoria da Indra. A SEPI exige que o conflito seja resolvido antes de prosseguir com a análise. O anúncio segue os rumores que causaram uma queda de 4,19% nas ações na terça-feira.
A SEPI, maior acionista da Indra com 28% do capital, notificou a CNMV na quarta-feira sobre seu descontentamento com o acordo anunciado em abril de 2025. Em dezembro, a diretoria da Indra aprovou por unanimidade a integração como "coerente" em meio ao boom da defesa na Europa. A fusão daria à Indra capacidade industrial para contratos governamentais de 7,24 bilhões de euros, incluindo artilharia pesada, mais 3,002 bilhões em empréstimos de 0% do Ministério da Indústria, contestados pela Santa Bárbara (General Dynamics) perante a Suprema Corte e administrativamente. Os prêmios favoreceram o capital espanhol, apesar das atuais lacunas de capacidade. A SEPI transmitiu à Indra sua preocupação com a influência que o conflito de interesses está tendo na análise da operação, apesar das medidas de mitigação", afirma o documento. O documento acrescenta que "o conflito de interesses deve ser esclarecido antes de se empreender a análise [...] para se tomar a decisão mais vantajosa para a Indra". Fontes do governo veem isso como um ultimato: Escribano deve deixar o cargo de presidente ou a SEPI rejeitará a fusão. A SEPI tem o apoio da Sapa (7,94%), mas a Amber Capital (5%), acionista da PRISA, se opõe à sua remoção. A Third Point adverte sobre a erosão das ações se for interrompida: "Escrevemos para expressar nosso firme apoio à transação proposta com a EM&E". A diretoria da Indra se reúne em 25 de março, e as ações caíram 0,2% na quarta-feira.