Gigantes tecnológicos dos EUA lucram com usuários sul-africanos sem pagar impostos locais, o que gera apelos por um imposto sobre serviços digitais. Tal taxa poderia arrecadar 3,5 bilhões de rands anualmente para lidar com déficits orçamentários. Críticos destacam a hipocrisia dos EUA em se opor a essas medidas enquanto impõem suas próprias tarifas.
Consumidores sul-africanos contribuem para as receitas de empresas de tecnologia americanas por meio de atividades como visualizar anúncios no Instagram, assinar Netflix ou interagir no LinkedIn. Esses lucros frequentemente fluem para áreas de baixa tributação no Caribe, contornando a tributação local. Enquanto o sistema tributário global, projetado para negócios físicos, luta para se adaptar à economia digital, a África do Sul enfrenta um dilema fiscal em meio a déficits orçamentários persistentes. Um imposto de 3% sobre serviços digitais poderia gerar mais de 3,5 bilhões de rands por ano, o suficiente para construir três novos hospitais distritais anualmente, segundo o especialista em impostos Lance Collop. O Comitê Davis de Impostos em 2018 observou os desafios em isolar lucros digitais, mas instou a ação para evitar irresponsabilidade fiscal. No entanto, implementar tal imposto arrisca retaliação dos EUA, como visto em investigações contra países como a França, onde tarifas punitivas foram aplicadas para proteger empresas americanas. Collop argumenta que os EUA adotam tarifas sobre importações como aço e veículos sob a administração Trump para proteger sua economia, mas consideram impostos digitais 'discriminatórios'. Ele enquadra o imposto digital como uma 'tarifa digital' para acesso ao mercado e aplica o princípio do 'poluidor paga', comparando o papel da Big Tech na disseminação de desinformação e cyberbullying a danos ambientais. Esses custos sociais, incluindo crises de saúde mental e erosão democrática, sobrecarregam os contribuintes sul-africanos enquanto as plataformas expatriam lucros não tributados. O IVA já taxa o consumo, mas não captura a extração por gigantes estrangeiros. Para combater alegações de repasse de preços, Collop sugere um imposto agregado sobre a receita anual, tratando-o como custo empresarial em vez de taxa por transação. O plano do Fórum de Administração Tributária Africano inclui um limiar de minimis para isentar startups locais, com Quênia e Nigéria avançando apesar de ameaças dos EUA. A África do Sul deve redefinir a presença tributável com base na atividade econômica digital para acabar com o 'passe livre' dos impérios da nuvem.