Mathieu Zahui, diretor financeiro da African Development Foundation, uma agência afiliada à USAID, aceitou declarar-se culpado de aceitar subornos e mentir a investigadores. Ele direcionou US$ 800.000 para uma empresa queniana de um amigo, recebendo propinas enquanto a empresa lucrou sem prestar serviços. O caso destaca preocupações com corrupção em programas de ajuda externa dos EUA.
Mathieu Zahui, diretor de gestão financeira da U.S. African Development Foundation (USADF), admitiu em documentos judiciais federais apresentados na sexta-feira atividades fraudulentas envolvendo subsídios e contratos. Como parte do esquema, a USADF transferiu US$ 800.000 para uma empresa sediada no Quênia operada por seu amigo, Maina Gakure. Gakure pagou a Zahui uma propina de US$ 12.000, e a empresa reteve US$ 134.886 apesar de não realizar trabalho algum. Os fundos serviram como um 'pass-through' para liquidar dívidas da agência, ocultando o destino real do dinheiro e inflando a aparência de ajuda à África. Os promotores detalharam como Zahui instruiu um fornecedor de pessoal a faturar a empresa queniana em vez da USADF diretamente. A empresa então faturou a USADF pela dívida mais uma margem superior a US$ 20.000, que Zahui aprovou sabendo que nenhum serviço relacionado foi prestado. Isso ocorreu enquanto Zahui direcionava contratos e subsídios adicionais para a empresa de Gakure, Ganiam, incluindo um para 'viagens' durante restrições da COVID-19, quando tais atividades eram limitadas. Zahui, que anteriormente trabalhou com Gakure no Department of Veterans Affairs, enfrenta até sete anos de prisão por aceitar gratificações e fazer declaração falsa ao Escritório do Inspetor Geral da USAID, onde negou receber propinas. 'Os atos fraudulentos do Diretor de Gestão Financeira da USADF traíram a confiança do povo americano', afirmou Sean M. Bottary, Assistente Inspetor Geral Interino para Investigações no USAID OIG. O escândalo surgiu em meio a escrutínio da USADF, que trancou suas portas em 2024 para bloquear auditores do Department of Government Efficiency (DOGE). Em entrevista em maio, Zahui defendeu as operações da agência, notando fundos espalhados em bancos africanos e suas viagens para gerenciá-los. Ele reconheceu que alguns subsídios poderiam financiar despesas não africanas, mas inicialmente minimizou laços com Gakure. Sen. James Risch (R-ID), presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, que investigou irregularidades da USADF desde 2023, chamou o acordo de 'uma grande vitória para a lei e a ordem'. Ele propôs legislação para abolir a agência, citando riscos à fé pública na ajuda externa. Investigações em andamento sugerem problemas mais amplos, com o inspetor geral da USAID lidando com 350 investigações abertas sobre subsídios externos.