Um site de monitoramento de voos registrou a presença de pelo menos cinco aeronaves militares dos Estados Unidos sobrevoando a costa da Venezuela na noite de sexta-feira. As aeronaves incluem caças da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais. Não houve pronunciamento oficial de Washington sobre o incidente.
Na noite de 12 de outubro, o site Flightradar24 detectou várias aeronaves americanas na costa venezuelana. Inicialmente, um caça Boeing F/A-18E Super Hornet da Marinha dos EUA foi identificado, seguido por mais dois do mesmo modelo, com designações RHINO61 e RHINO62. Em seguida, apareceram quatro caças Boeing EA-18G Growler e uma aeronave de inteligência dos Fuzileiros Navais, totalizando ao menos cinco unidades.
Os sinais das aeronaves foram perdidos logo após a detecção, o que gerou especulações sobre possível desligamento de transponders, embora isso não tenha sido confirmado. O Flightradar24 explicou que o rastreamento usa multilateração (MLAT), que pode ser impreciso sobre águas e estima posições por até dez minutos após perda de sinal, com base na última trajetória conhecida.
Esse episódio ocorre em meio a tensões crescentes entre EUA e Venezuela. O presidente Donald Trump tem intensificado ações contra o governo de Nicolás Maduro, acusado de liderar o Cartel de Los Soles, designado como organização terrorista em setembro. Em agosto, Washington ofereceu US$ 50 milhões por informações levando à captura de Maduro.
Na quarta-feira, 10, Trump anunciou a apreensão de um grande petroleiro em operação antinarcóticos. Na sexta, 12, o Departamento do Tesouro impôs sanções a três sobrinhos de Maduro e à primeira-dama Cilia Flores. No sábado, 13, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, criticou os EUA nas redes sociais, afirmando: “Os Estados Unidos reconheceram que o mundo caminha para uma multipolaridade inevitável e iniciaram uma retirada estratégica para consolidar sua hegemonia neste hemisfério, particularmente no Mar do Caribe, em detrimento da soberania de nossos povos. Nós vamos defender nosso conceito de soberania, mas o mundo precisa estar atento ao que está acontecendo aqui, pois isso moldará a ordem global nos próximos anos.”
Nem a Casa Branca nem Trump comentaram o sobrevoo até o momento.