O presidente Donald Trump confirmou um ataque com drone dos EUA a um cais na Venezuela, que ele afirma ter sido usado por traficantes de drogas para carregar barcos. A operação, realizada pela CIA, marca a primeira ação direta conhecida em solo venezuelano em uma campanha em escalada contra o governo do presidente Nicolás Maduro. O ataque gerou preocupações sobre supervisão congressional e riscos potenciais a civis.
O ataque ocorreu na semana passada em uma área de doca supostamente usada por cartéis de drogas venezuelanos, de acordo com duas fontes anônimas familiarizadas com a operação. O presidente Trump mencionou pela primeira vez na sexta-feira, 26 de dezembro de 2025, durante uma entrevista com John Catsimatidis na rádio WABC em Nova York, descrevendo-o como derrubar uma "grande instalação de onde vêm os navios". Na segunda-feira, 29 de dezembro, ao receber o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em seu resort Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida, Trump forneceu mais detalhes: "Houve uma grande explosão na área do cais onde eles carregam os barcos com drogas. Eles carregam os barcos com drogas, então atingimos todos os barcos, e agora atingimos a área. É uma área de implementação. É lá que eles implementam."
Este ataque com drone liderado pela CIA representa uma escalada significativa na campanha de pressão dos EUA contra Maduro, que começou com um acúmulo de pessoal no mar do Caribe em agosto de 2025 e incluiu pelo menos 30 ataques militares a barcos de drogas supostos no Caribe e Pacífico oriental. Mais recentemente, a administração impôs um bloqueio quase total para apreender petroleiros sancionados entrando e saindo da Venezuela. Operações anteriores visaram embarcações em águas internacionais, mas este é o primeiro ação confirmada em terra dentro da Venezuela desde que os ataques começaram em setembro.
A CIA e a Casa Branca recusaram-se a comentar, enquanto a Coronel Allie Weiskopf do Comando de Operações Especiais afirmou que sua unidade "não apoiou esta operação, incluindo suporte de inteligência". Trump reconheceu publicamente ter autorizado a CIA para ações secretas na Venezuela, citando duas razões em uma declaração de outubro de 2025: "Número 1, eles esvaziaram suas prisões nos Estados Unidos da América", e o influxo de drogas via rotas marítimas. Maduro e seu círculo íntimo enfrentam indiciamentos federais dos EUA por narcoterrorismo desde 2020, com o Departamento de Justiça dobrando a recompensa por sua prisão para US$ 50 milhões este ano. Maduro negou as acusações e não mencionou o ataque em um discurso na terça-feira.
Críticos, incluindo o ex-embaixador John Feeley, destacam a falta de briefing congressional, notando que o chamado Gang of Eight —líderes bipartidários de alto escalão— tipicamente recebe notificação para tais ações. Feeley descreveu o Congresso como "avançando lentamente para mais supervisão", apontando para audiências recentes sobre ataques a barcos relacionados que mataram sobreviventes. A operação levantou questões sobre seu escopo e riscos para venezuelanos inocentes, com Franco Ordoñez da NPR relatando de Palm Beach que envia uma mensagem a Maduro: os EUA podem alcançá-lo "em qualquer lugar e a qualquer momento". Trump falou recentemente com Maduro, mas relatou pouco impacto, e escalada adicional, incluindo mais ataques terrestres, permanece possível à medida que o Congresso se reúne novamente.