Cientistas no Brasil e no Peru estão utilizando aprendizado de máquina para previsões precoces de surtos e mosquitos infectados com Wolbachia para conter a dengue, em meio ao aumento de casos impulsionado pelas mudanças climáticas. Em Lima, uma epidemia em 2024 sobrecarregou os hospitais, gerando adaptações que agora orientam estratégias regionais. Esses esforços oferecem modelos à medida que áreas subtropicais dos EUA relatam transmissões locais.
No início de 2024, o hospital Santa Rosa em Lima, no Peru, enfrentou uma onda de dengue sem precedentes, tratando de 40 a 60 pacientes diariamente em seu pico, um aumento em relação aos apenas 13 do ano anterior. O epidemiologista Solomon Durand, baseando-se em sua experiência na Amazônia, montou tendas de triagem e alas segregadas, limitando as mortes a quatro entre quase 2.000 casos. 'Isso chamou nossa atenção', disse Durand sobre os casos locais em distritos de classe alta, associando o aumento às chuvas do El Niño e ao calor recorde — o ano mais quente do Peru em seis décadas. Condições mais quentes aceleram o desenvolvimento do mosquito Aedes aegypti e a replicação do vírus da dengue, com um estudo da Universidade de Washington atribuindo 18 por cento dos casos entre 1995 e 2014 em nações de alto risco ao aquecimento causado pelo homem. As projeções alertam para 50 por cento mais casos até meados do século se não houver cortes nas emissões. Globalmente, a dengue atingiu 14 milhões de casos e 9.000 mortes em 2024, principalmente nas Américas. No sul do Brasil, o entomologista Luciano Andrade Moreira lidera o Wolbito do Brasil, produzindo 100 milhões de ovos infectados com Wolbachia semanalmente em Curitiba. A bactéria bloqueia a dengue nos mosquitos, reduzindo os casos em quase 90 por cento em Niterói após as liberações. Dezessete cidades brasileiras declararam emergência em 2024 à medida que os hospitais superlotavam. Na Amazônia peruana, o InnovaLab de Gabriel Carrasco-Escobar implanta sensores, drones e IA por meio do projeto Harmonize para prever surtos com três meses de antecedência, auxiliando na realocação de recursos. 'O mosquito é extremamente bem projetado — muito inteligente, muito adaptável', observou Carrasco-Escobar. Nos EUA, os primeiros casos locais de dengue na Califórnia surgiram em 2023, provocando a liberação de mosquitos estéreis, mas especialistas como Durand veem paralelos com Lima: 'Foi assim que começamos. Com casos locais'. Uma proposta paralisada, a SMASH Act, busca 100 milhões de dólares anuais para vigilância.