Uma nova pesquisa mostra que a malária afastou as primeiras populações humanas de áreas de alto risco na África subsaariana nos últimos 74.000 anos. Essa fragmentação influenciou a diversidade genética e as estruturas populacionais. O estudo destaca a doença como uma força evolutiva fundamental, ao lado do clima.
Pesquisadores do Instituto Max Planck para a Geoantropologia e da Universidade de Cambridge analisaram os riscos de transmissão da malária entre 74.000 e 5.000 anos atrás. Utilizando modelos de distribuição de espécies para complexos de mosquitos, dados paleoclimáticos e informações epidemiológicas, eles mapearam zonas de alto risco na África subsaariana. Os humanos evitaram consistentemente essas áreas, resultando em grupos separados que cruzaram com menos frequência. Essa dinâmica contribuiu para os padrões modernos de diversidade genética humana, conforme detalhado em um estudo publicado na Science Advances com DOI: 10.1126/sciadv.aea2316. A Dra. Margherita Colucci, autora principal do Instituto Max Planck para a Geoantropologia e da Universidade de Cambridge, explicou: 'Usamos modelos de distribuição de espécies de três complexos principais de mosquitos, juntamente com modelos paleoclimáticos. A combinação desses dados com informações epidemiológicas nos permitiu estimar o risco de transmissão da malária em toda a África subsaariana.' As descobertas desafiam as visões tradicionais de que o clima, por si só, ditava as primeiras distribuições humanas. O professor Andrea Manica, da Universidade de Cambridge, observou: 'Os efeitos dessas escolhas moldaram a demografia humana nos últimos 74.000 anos, e provavelmente muito antes. Ao fragmentar as sociedades humanas pela paisagem, a malária contribuiu para a estrutura populacional que vemos hoje.' A professora Eleanor Scerri, do Instituto Max Planck para a Geoantropologia, acrescentou que a pesquisa 'abre novas fronteiras na investigação sobre a evolução humana' ao enfatizar o papel das doenças na pré-história.