Uma mulher de 47 anos acamada com anemia hemolítica autoimune, trombocitopenia imune e síndrome antifosfolípide alcançou remissão completa após terapia com células CAR-T no Hospital Universitário de Erlangen, na Alemanha. Tratada por Fabian Müller após nove terapias sem sucesso, ela se recuperou rapidamente e permanece saudável mais de um ano depois, sem uso de medicação — o primeiro tratamento simultâneo de múltiplas doenças autoimunes com este método.
Fabian Müller, do Hospital Universitário de Erlangen, tratou a paciente, cujas condições — desencadeadas há mais de uma década durante a gravidez — destruíram glóbulos vermelhos, atacaram plaquetas e aumentaram os riscos de coagulação, apesar do uso de anticoagulantes. Anteriormente dependente de transfusões diárias e imunossupressores que falharam, ela estava acamada. "Ela estava mortalmente doente e acamada... sete dias depois, saiu da cama", disse Müller. Uma semana após a infusão, as transfusões cessaram; duas semanas depois, ela se sentiu mais forte; três semanas após, a hemoglobina e as plaquetas normalizaram, e o risco de coagulação diminuiu. Onze meses (mais de um ano) depois, "Ela está perfeitamente bem", confirmou Müller.
"O mais incrível é que você tem três doenças autoimunes e todas as três... podem ser combatidas com um único tratamento", observou Müller. A terapia modifica as células T do paciente para eliminar células B nocivas que produzem anticorpos prejudiciais, técnica pioneira de sua equipe para autoimunidade em 2022, adaptada de aplicações oncológicas. As células CAR-T foram eliminadas sem comprometer a imunidade de longo prazo; as células B saudáveis se regeneraram.
"O tratamento tem sido extremamente eficiente... melhorou significativamente sua qualidade de vida", acrescentou Müller. Cristina Pascual, do GEPTI da Espanha, chamou isso de "mais uma prova de que a terapia CAR-T pode reiniciar o sistema imunológico". Reuben Benjamin, do King’s College London, elogiou: "Para uma terapia que é muito poderosa, ter pouquíssimos efeitos colaterais... é algo notável". Jun Shi, da Academia Chinesa, alertou: "Um acompanhamento mais longo é necessário antes que alguém possa falar com confiança sobre cura".
Promissor para lúpus, esclerose múltipla, colite e asma, com menos efeitos colaterais do que no câncer (menos morte celular). Problemas menores decorrentes de medicamentos anteriores. Os custos variam de US$ 200 mil a US$ 600 mil inicialmente, mas geram economia a longo prazo. Ensaios iniciais estão em andamento, inclusive na Espanha (Ramón y Cajal para artrite reumatoide, Sjögren e lúpus). Estudos controlados são necessários.