Um jovem aglomerado de galáxias observado no universo primordial é surpreendentemente quente e abundante em gás, desafiando os modelos dos cientistas sobre como essas estruturas evoluem. Chamado SPT2349-56, o gás intraglomerado do aglomerado atinge temperaturas de várias dezenas de milhões de graus, superando amplamente as previsões. Pesquisadores sugerem que galáxias ativas dentro dele podem estar acelerando o processo de aquecimento.
Astrônomos descobriram uma anomalia no universo primordial: o aglomerado de galáxias SPT2349-56, localizado apenas 1,4 bilhão de anos após o Big Bang. Essa estrutura, observada usando o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) no Chile, contém gás intraglomerado mais abundante e significativamente mais quente do que o esperado para uma formação tão incipiente.
Dazhi Zhou, da University of British Columbia no Canadá, liderou a equipe que detectou temperaturas de pelo menos várias dezenas de milhões de graus em direção ao centro do aglomerado. "A temperatura da superfície do sol é de poucas milhares de graus Celsius, então toda essa área é mais quente que o sol", explicou Zhou. Seus cálculos indicam que o gás é 5 a 10 vezes mais quente do que as simulações previram, uma surpresa porque tal calor extremo era esperado apenas bilhões de anos depois no desenvolvimento do aglomerado.
"Esse tipo de gás ainda deveria ser frio e menos abundante porque esses aglomerados bebês ainda estão acumulando e aquecendo seu gás", observou Zhou. O SPT2349-56 parece incomumente maduro, possivelmente devido a várias galáxias ativas entre seus membros. Estas incluem pelo menos três que emitem jatos de energia poderosos, juntamente com surtos frequentes de formação estelar, o que poderia elevar rapidamente a temperatura do gás.
Essa descoberta destaca uma fase previamente invisível na evolução de aglomerados. "O que isso realmente faz é abrir uma nova janela mostrando uma fase da evolução de aglomerados que nunca vimos antes", disse Zhou. A equipe planeja mais observações com ALMA para procurar aglomerados jovens e quentes semelhantes e avaliar sua raridade. Os achados, publicados na Nature, podem reformular o entendimento da formação de aglomerados de galáxias na infância do universo.