Um novo estudo revela que o intenso calor de verão no Arizona perturba a capacidade das abelhas-melíferas de regular as temperaturas das colmeias, levando a declínios populacionais em colônias menores. Pesquisadores observaram flutuações significativas de temperatura dentro das colmeias durante ondas de calor prolongadas que excediam 40°C. À medida que as mudanças climáticas intensificam esses eventos, as descobertas destacam riscos para as abelhas e seu papel vital na polinização.
As abelhas-melíferas são renomadas por manterem temperaturas precisas nas colmeias, mas o calor extremo pode empurrar esse sistema além de seus limites. Em um estudo publicado em Ecological and Evolutionary Physiology, cientistas acompanharam nove colônias durante três meses no Arizona, onde as temperaturas do ar frequentemente superavam 40°C (104°F). A pesquisa, intitulada «Negative Effects of Excessive Heat on Colony Thermoregulation and Population Dynamics in Honey Bees», foi liderada por autores como Jun Chen, Adrian Fisher II, Gloria DeGrandi-Hoffman e Jon F. Harrison. Embora as colônias mantivessem temperaturas médias de cria no ótimo de 34-36°C para o desenvolvimento, as flutuações diárias se mostraram prejudiciais. No centro da cria, as abelhas em desenvolvimento suportaram cerca de 1,7 horas abaixo e 1,6 horas acima dessa faixa por dia. As condições pioraram nas bordas, com quase oito horas fora da janela segura, expondo abelhas jovens a estresse que poderia prejudicar o crescimento. Essas oscilações correlacionaram-se com quedas populacionais, particularmente em colônias que enfrentaram os picos e variações mais altos. Como notaram os autores, «calor excessivo, com temperaturas máximas excedendo 40°C, pode reduzir populações de colônias ao prejudicar a termorregulação da cria ou ao expor adultos a temperaturas que encurtam suas vidas». Colônias maiores saíram-se melhor, limitando flutuações nas bordas a cerca de 6°C diários em comparação com 11°C nas menores, graças a mais operárias auxiliando no resfriamento. A equipe enfatizou que, embora as abelhas usem resfriamento evaporativo, alta umidade poderia dificultá-lo ainda mais. Olhando adiante, o estudo alerta para ameaças mais amplas. Temperaturas globais podem subir 2,7°C até o fim do século, ou até 4°C em cenários de altas emissões, tornando ondas de calor mais frequentes. Para apicultores, isso ressalta a necessidade de sombra, água suplementar, isolamento aprimorado e forragem de qualidade para fortalecer a resiliência e proteger a agricultura dependente de polinização.