Nova pesquisa sugere que tartarugas marinhas possuem um mecanismo epigenético que ajuda a manter rácios de sexo equilibrados apesar do aumento das temperaturas devido ao aquecimento global. Esta adaptação pode mitigar receios de colapso populacional devido a um excesso de crias fêmeas. Cientistas da Queen Mary University of London lideraram o estudo sobre tartarugas loggerhead.
Os biólogos têm há muito preocupado que as alterações climáticas possam condenar as populações de tartarugas marinhas ao desequilibrar as rácios de sexo das crias para fêmeas. Temperaturas de ninho mais quentes, que determinam o sexo das tartarugas em vez dos cromossomas, podem levar a poucos machos para reprodução. No entanto, um estudo publicado no bioRxiv revela uma rede de segurança epigenética envolvendo metilação de DNA que ajusta a sensibilidade do desenvolvimento sexual ao calor. Chris Eizaguirre na Queen Mary University of London e colegas realizaram experimentos de laboratório com 240 ovos de tartaruga loggerhead de sete ninhos no condado de Palm Beach, Flórida. Incubados a 27°C para machos, 30°C para rácios iguais e 32°C para fêmeas, os ovos mostraram padrões distintos de atividade genética. Amostras de sangue de crias de 1 a 3 dias de idade, verificadas posteriormente por cirurgia, indicaram 383 genes hipermethylados em fêmeas e 394 em machos—muitos ligados ao desenvolvimento sexual. Isso permitiu identificação de sexo não invasiva. Num teste de campo na Ilha do Sal, Cabo Verde, a equipa dividiu 29 ninhadas de ovos: metade enterrada a 55 cm de profundidade para condições mais frescas, metade a 35 cm para mais quentes. Monitorizando 116 crias, encontraram mais machos do que os modelos de temperatura previam, com sobrestimações de fêmeas de 50 a 60 por cento. «Acreditamos que descobrimos a capacidade das tartarugas de se ajustarem ao ambiente em que estão», disse Eizaguirre. Enfatizou que, embora a feminização persista e as alterações climáticas acelerem, populações diversas podem evoluir respostas. «Quando as populações são suficientemente grandes, quando há diversidade suficiente, parece que a espécie [pode] evoluir em resposta ao clima em que vive». Isso alinha-se com achados de Graeme Hays na Deakin University, Austrália, mostrando taxas mais altas de crias machos do que esperado. Comportamentos adicionais, como nidificação mais precoce e migrações frequentes de machos para locais de reprodução, equilibram ainda mais os rácios, pois os machos reproduzem-se mais vezes do que as fêmeas, que saltam anos. Tais adaptações moleculares e comportamentais oferecem esperança para estes répteis vulneráveis em meio ao aquecimento contínuo.