Polvos desafiam ideia de que cérebros grandes evoluem da vida social

Um novo estudo sobre cefalópodes sugere que cérebros grandes podem evoluir devido a fatores ambientais em vez de interações sociais. Pesquisadores analisaram tamanhos de cérebro em 79 espécies e encontraram ligações com complexidade do habitat, não com socialidade. Isso leva a repensar por que animais como polvos desenvolvem sistemas nervosos complexos.

A hipótese do cérebro social, proposta por Robin Dunbar na University of Oxford há cerca de 30 anos, postula que cérebros maiores em mamíferos como primatas, golfinhos e camelos surgem das demandas de gerenciar conexões sociais. No entanto, cefalópodes — incluindo polvos, lulas, chocos e náutilos — apresentam um enigma. Essas criaturas exibem comportamentos inteligentes e cérebros relativamente grandes apesar de levarem vidas solitárias com cuidados parentais mínimos ou dinâmicas de grupo. Para explorar isso, Michael Muthukrishna na London School of Economics e colegas compilaram dados de 79 espécies de cefalópodes, medindo o tamanho do cérebro como o volume total do sistema nervoso central. Polvos, por exemplo, possuem nove cérebros: um central na cabeça e semi-independentes em cada um de seus oito braços. «O que poderia ser mais diferente dos humanos do que esse tipo de espécie alienígena no nosso planeta, com seu cérebro multi-apêndice maluco com braços?», comentou Muthukrishna. A análise, detalhada em um preprint bioRxiv de maio de 2024 (DOI: 10.1101/2024.05.01.592020v5), não revelou correlação entre tamanho do cérebro e socialidade. Em vez disso, espécies em águas rasas e ambientes do fundo do mar — mais ricas em calorias, objetos manipuláveis e interações — tendiam a ter cérebros maiores. Derivares de mar profundo, por contraste, mostravam menores. «Essa relação é bastante robusta», disse Muthukrishna, embora tenha alertado que os dados cobrem apenas cerca de 10 por cento das aproximadamente 800 espécies de cefalópodes existentes. Dunbar observou que polvos carecem de grupos sociais coerentes, então seus cérebros evitam a carga extra. Paul Katz na University of Massachusetts Amherst sugeriu um possível «fenômeno de mar profundo» semelhante ao nanismo insular, mas enfatizou que pode ser mera correlação. Ele também apontou a competição histórica com peixes como motor do crescimento cerebral dos cefalópodes ao longo de 500 milhões de anos desde a divergência dos vertebrados. Isso se alinha com a hipótese do cérebro cultural de Muthukrishna, que incorpora pressões ecológicas e processamento de informação junto a fatores sociais, como visto em estudos anteriores sobre baleias e golfinhos. «Cérebros grandes não se devem apenas à socialidade», concluiu ele. Dunbar acrescentou que calorias abundantes permitem a expansão cerebral, liberando recursos cognitivos para usos diversos, assim como nos humanos para leitura e matemática.

Artigos relacionados

Realistic depiction of a rhesus macaque in a Princeton lab with brain overlay showing prefrontal cortex assembling reusable cognitive 'Lego' modules for flexible learning.
Imagem gerada por IA

Estudo de Princeton revela ‘Lego cognitivos’ reutilizáveis do cérebro para aprendizado flexível

Reportado por IA Imagem gerada por IA Verificado

Neurocientistas da Universidade de Princeton relatam que o cérebro alcança aprendizado flexível reutilizando componentes cognitivos modulares em várias tarefas. Em experimentos com macacos rhesus, pesquisadores descobriram que o córtex pré-frontal monta esses “Lego cognitivos” reutilizáveis para adaptar comportamentos rapidamente. Os achados, publicados em 26 de novembro na Nature, destacam diferenças em relação aos sistemas de IA atuais e podem eventualmente informar tratamentos para transtornos que prejudicam o pensamento flexível.

Pesquisadores da Universidade de Nagoya, no Japão, desenvolveram modelos cerebrais em miniatura usando células-tronco para estudar interações entre o tálamo e o córtex. Seu trabalho revela o papel chave do tálamo na maturação de redes neurais corticais. As descobertas podem avançar pesquisas sobre distúrbios neurológicos como o autismo.

Reportado por IA

Um novo estudo revela que algumas espécies de formigas alcançam sucesso evolutivo investindo menos na proteção individual das operárias, permitindo colônias maiores. Publicado em 19 de dezembro de 2025 na Science Advances, a pesquisa analisou mais de 500 espécies de formigas e liga cutículas mais finas a sociedades maiores e taxas de diversificação mais altas. Essa estratégia ecoa padrões mais amplos na evolução social, de insetos a possíveis paralelos humanos.

Pesquisadores criaram um organoide cerebral detalhado que imita o córtex cerebral em desenvolvimento, completo com vasos sanguíneos que se assemelham de perto aos de um cérebro real. Este avanço aborda uma limitação chave nos mini-cérebros cultivados em laboratório, potencialmente permitindo que sobrevivam mais tempo e forneçam insights mais profundos sobre condições neurológicas. O organoide, cultivado a partir de células-tronco humanas, apresenta vasos distribuídos uniformemente com centros ocos, marcando um passo significativo na pesquisa cerebral.

Reportado por IA

Cientistas estão alarmados com a ausência de minhocas zumbis em ossos de baleia colocados no oceano profundo ao largo da Colúmbia Britânica. Após 10 anos de monitoramento, nenhuma dessas engenheiras chave do ecossistema apareceu, provavelmente devido a baixos níveis de oxigênio. A descoberta levanta preocupações sobre perturbações impulsionadas pelo clima em habitats de mar profundo.

Uma nova análise de espécies de primatas indica que o comportamento sexual do mesmo sexo pode fortalecer laços sociais e sucesso reprodutivo, particularmente em ambientes desafiadores. Pesquisadores do Imperial College London examinaram dados de 59 espécies, encontrando maior prevalência em áreas com comida escassa ou riscos de predação. As descobertas desafiam suposições de que tal comportamento é não adaptativo.

Reportado por IA Verificado

Pesquisadores da Universidade de Genebra descobriram que regiões específicas do córtex auditivo humano respondem de forma particularmente forte às vocalizações de chimpanzés em comparação com as de outros primatas, incluindo bonobos e macacos. O trabalho, publicado como pré-prints revisados no eLife, sugere que áreas do cérebro humano envolvidas no processamento de vozes também estão sintonizadas com certos chamados de primatas não humanos, refletindo raízes evolutivas e acústicas compartilhadas.

 

 

 

Este site usa cookies

Usamos cookies para análise para melhorar nosso site. Leia nossa política de privacidade para mais informações.
Recusar