Pesquisadores descobrem oito mapas cerebrais que ligam visão ao tato

Neurocientistas identificaram oito mapas semelhantes ao corpo na córtex visual que espelham a organização das sensações táteis, permitindo que o cérebro sinta fisicamente o que vê nos outros. Esta descoberta, baseada em exames cerebrais durante a visualização de filmes, aprimora o entendimento da empatia e promete tratamentos para autismo e avanços em IA. Os achados foram publicados na Nature.

Uma equipe de pesquisadores, liderada por Nicholas Hedger da University of Reading e Tomas Knapen do Netherlands Institute for Neuroscience e Vrije Universiteit Amsterdam, explorou como o cérebro traduz pistas visuais em sensações táteis. Colaborando com cientistas do Reino Unido, EUA e VU e NIN (KNAW) de Amsterdã, eles analisaram dados de fMRI funcional de participantes assistindo clipes de filmes como The Social Network e Inception. Essa abordagem capturou respostas cerebrais naturais, revelando como o processamento visual se integra a sentimentos corporais.

O estudo identificou oito mapas distintos na córtex visual que se alinham ao layout da córtex somatossensorial de cabeça aos pés para o tato. Esses mapas permitem que o cérebro interprete ações, lesões ou emoções de outros como se as experimentasse diretamente. "Encontramos não um, ou dois, mas oito mapas notavelmente semelhantes na córtex visual!" disse Knapen. "Encontrar tantos mostra o quão fortemente o cérebro visual fala a linguagem do tato."

Cada mapa provavelmente serve papéis únicos, como identificar partes do corpo ou suas posições espaciais, com ativação variando pelo foco. Por exemplo, observar uma ação da mão pode envolver um mapa, enquanto avaliar postura ou expressões ativa outro. "Toda vez que você olha para uma pessoa, há muitas traduções corporais diferentes que precisam ser realizadas visualmente," explicou Knapen. "Acreditamos que esses mapas são um ingrediente fundamental nesse processo exato."

Os mapas sobrepostos permitem processamento de informação flexível. "Isso permite que o cérebro tenha muitos tipos de informação em um único espaço, e faça uma tradução de qualquer forma relevante naquele momento," observou Knapen.

As implicações se estendem a campos clínicos e tecnológicos. Esses mapas podem auxiliar pesquisas em psicologia social e autismo, onde tal processamento pode falhar. "Pessoas com autismo podem lutar com esse tipo de processamento," disse Knapen. "Ter essa informação pode nos ajudar a identificar tratamentos mais eficazes."

Em neurotecnologia, os achados sugerem métodos de treinamento mais amplos para interfaces cérebro-computador além de movimentos simples. Para IA, incorporar dimensões corporais pode enriquecer sistemas dependentes de texto e vídeo. "Esse aspecto da experiência humana é uma área fantástica para o desenvolvimento de IA," enfatizou Knapen, destacando sinergias entre neurociência e inteligência artificial.

A pesquisa, detalhada na Nature (DOI: 10.1038/s41586-025-09796-0), sublinha um elemento central da empatia humana.

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