Um novo estudo de imagem cerebral descobriu que recordar fatos e experiências pessoais ativa redes neurais quase idênticas, desafiando visões antigas sobre sistemas de memória. Pesquisadores da University of Nottingham e University of Cambridge usaram exames de fMRI em 40 participantes para comparar esses tipos de memória. Os resultados, publicados na Nature Human Behaviour, sugerem repensar como a memória é estudada e podem informar tratamentos para Alzheimer e demência.
Os cientistas distinguiram há muito entre memória episódica, que envolve reviver eventos passados específicos como um marco pessoal em um momento e lugar certos — frequentemente chamada de 'viagem mental no tempo' — e memória semântica, que armazena fatos e conhecimentos gerais desvinculados de seu contexto de aprendizado. No entanto, um estudo recente questiona essa separação no nível neural. Liderado pela Dra. Roni Tibon, professora assistente na School of Psychology da University of Nottingham, em colaboração com a Cognition and Brain Sciences Unit da University of Cambridge, a pesquisa envolveu 40 participantes realizando tarefas de memória pareadas. Em uma, eles recordaram associações do mundo real entre logotipos e nomes de marcas, testando memória semântica. Na outra, lembraram pares aprendidos durante o experimento, envolvendo memória episódica. A ressonância magnética funcional (fMRI) rastreou a atividade cerebral medindo mudanças no fluxo sanguíneo durante essas recuperações. Os exames revelaram nenhuma diferença significativa na ativação cerebral entre as duas tarefas, mostrando forte sobreposição nas regiões envolvidas. O fMRI funciona detectando sangue rico em oxigênio aumentado para áreas ativas, produzindo imagens 3D do engajamento cerebral. A Dra. Tibon expressou surpresa com os achados: «Ficamos muito surpresos com os resultados deste estudo, pois uma tradição de pesquisa de longa data sugeria que haveria diferenças na atividade cerebral na recuperação episódica e semântica. Mas quando usamos neuroimagem para investigar isso ao lado do estudo baseado em tarefas, descobrimos que a distinção não existia e que há uma sobreposição considerável nas regiões cerebrais envolvidas na recuperação semântica e episódica.» Ela destacou implicações potenciais para condições neurológicas: «Esses achados podem ajudar a entender melhor doenças como demência e Alzheimer, pois podemos começar a ver que o cérebro inteiro está envolvido nos diferentes tipos de memória, de modo que intervenções podem ser desenvolvidas para apoiar essa visão.» Tradicionalmente, esses tipos de memória foram estudados separadamente, limitando comparações diretas. A Dra. Tibon defende uma mudança: «Com base no que já sabíamos de pesquisas anteriores nessa área, realmente esperávamos ver diferenças marcantes na atividade cerebral, mas qualquer diferença que vimos foi muito sutil. Acho que esses resultados devem mudar a direção de viagem para esta área de pesquisa e, espero, abrir novo interesse em olhar para ambos os lados da memória e como eles funcionam juntos.» O estudo, intitulado «Neural activations and representations during episodic versus semantic memory retrieval», aparece na Nature Human Behaviour (DOI: 10.1038/s41562-025-02390-4).