Um estudo internacional em grande escala descobriu que o declínio da memória relacionado à idade decorre de mudanças estruturais amplas em todo o cérebro, e não de uma única região ou gene. Analisando mais de 10.000 exames de ressonância magnética de milhares de adultos saudáveis, os pesquisadores observaram que o impacto da redução do cérebro na memória intensifica-se de forma não linear na vida posterior. As descobertas destacam uma vulnerabilidade distribuída que acelera a perda de memória após atingir um ponto de virada.
Uma equipe internacional de cientistas realizou o que descrevem como a análise mais abrangente até o momento sobre como o envelhecimento cerebral afeta a memória. Publicado em Nature Communications em 14 de janeiro de 2026, o estudo, intitulado «Vulnerabilidade ao declínio da memória no envelhecimento revelada por uma mega-análise de mudanças estruturais cerebrais», reuniu dados de 13 coortes de pesquisa de longo prazo envolvendo 3.700 adultos cognitivamente saudáveis. Os pesquisadores examinaram mais de 10.000 exames de ressonância magnética e 13.000 testes de memória, acompanhando participantes em uma ampla faixa etária. Sua análise revelou que o desempenho da memória não declina de forma linear direta com a atrofia cerebral. Em vez disso, a conexão fortalece-se marcadamente nos anos finais, independentemente de fatores de risco conhecidos do Alzheimer, como o gene APOE ε4. Embora o hipocampo tenha mostrado a ligação mais forte entre perda de volume e prejuízo à memória, os efeitos se estenderam a numerosas regiões corticais e subcorticais. Isso sugere que o declínio da memória surge de uma vulnerabilidade em nível de rede, em vez de dano isolado. Indivíduos com taxas acima da média de redução cerebral experimentaram quedas desproporcionalmente acentuadas na memória, indicando um padrão acelerado após os mudanças estruturais ultrapassarem um limiar. «Ao integrar dados de dezenas de coortes de pesquisa, agora temos o quadro mais detalhado até o momento de como as mudanças estruturais no cérebro se desenrolam com a idade e como se relacionam com a memória», disse Alvaro Pascual-Leone, MD, PhD, cientista sênior no Hinda and Arthur Marcus Institute for Aging Research. Ele acrescentou que essas percepções podem permitir a identificação precoce de indivíduos em risco e apoiar intervenções direcionadas para preservar a saúde cognitiva. A colaboração incluiu especialistas de instituições como a University of Oslo, o Max Planck Institute for Human Development e o Hebrew SeniorLife, destacando o esforço global por trás das descobertas.