Baleias-cinzentas estão entrando cada vez mais na baía de São Francisco, fora de suas rotas migratórias tradicionais, mas quase uma em cada cinco não sobrevive, frequentemente devido a colisões com navios. Pesquisadores documentaram 114 baleias individuais entre 2018 e 2025 e associaram muitas mortes ao tráfego de embarcações e à desnutrição em meio à escassez de alimentos causada pelas mudanças climáticas. As descobertas destacam a necessidade urgente de medidas de proteção na movimentada via navegável.
As baleias-cinzentas, que normalmente migram entre as áreas de alimentação no Ártico e as lagoas da Baixa Califórnia, começaram a buscar alimento na baía de São Francisco desde 2018. Esse desvio coincide com a interrupção de seu suprimento de alimento no Ártico devido às mudanças climáticas, levando a uma queda populacional de mais da metade desde 2016 e a menos avistamentos de filhotes, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA). Somente em 2025, 36 baleias entraram na baía, por vezes em grupos superiores a 10 indivíduos. Pesquisadores catalogaram 114 baleias únicas usando fotos públicas e pesquisas de 2018 a 2025, identificando-as por marcas na pele. Apenas quatro retornaram em vários anos, sugerindo que a baía serve como uma parada desesperada para animais magros e famintos. Das 70 baleias-cinzentas encontradas mortas na região entre 2018 e 2025, 30 apresentavam ferimentos causados por colisões com embarcações, e muitas outras exibiam sinais de inanição. Os cientistas correlacionaram 21 dos 45 encalhes identificáveis ao seu catálogo, constatando que pelo menos 18% dos visitantes documentados na baía morreram localmente, sendo que mais de 40% das mortes por trauma foram causadas por navios. > As baleias-cinzentas têm um perfil baixo em relação à água quando emergem, o que as torna difíceis de ver em condições como o nevoeiro, comuns na baía de São Francisco, explicou Josephine Slaathaug, da Sonoma State University, principal autora do estudo publicado na Frontiers in Marine Science. > Pelo menos 18% dos indivíduos identificados na baía de São Francisco morreram posteriormente na área, afirmou a coautora Bekah Lane, do Center for Coastal Studies. Os pesquisadores pedem limites de velocidade para embarcações, ajustes nas rotas e um melhor monitoramento para conter as colisões, a maior ameaça à baía.